sábado, 22 de novembro de 2008

A Memória do Ser


Memórias,
Memórias incontornáveis nos contornos de meu ser,
Memórias de louvores perdidos, de rancores odiados,
Memórias que alimentam a nossa alma,
Memórias que fluem na nossa vida
Sem guarda nem protecção
Memórias perdidas mas perenes
Memórias de reminiscências viventes
Memórias de passados presentes
Memórias inesquecíveis para sempre
Memórias que o tempo espaça,
Memórias inoportunas nos momentos exactos
Na monção da vida o azo lhes pertence
Memórias,
Nosso fundamento com elas é feito.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Nasceu o Amor


Saía a Vénus do mar erguida e do arvoredo testemunha,
Na sua inaudita valva,
Superior e magnânime com suas esbeltas formas,
Com cerúleas e escarlates saraças para a apadrinhar
E ornatos decaídos do nebuloso,
Estava ali, o tão desejado fruto,
Ensombrando seus zéfiros e servos,
Que a ela adoravam e a serviam eternamente
Sem qualquer temor ou incerteza,
Sabendo que defronte de suas almas estava,
Aquela que nasçeu deificada
Sob os poderes do Possante,
Na mais puros e imaculados moldes,
A fonte do Amor.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Fim do Começo


O meu Fado era amá-la e disso eu não fugia. Seu corpo entorneava-se à luz do crepúsculo que estava agora em diante de mim. Tentei escapar ao Amor, procurei nunca amar, mas, todos os dias aquela visão suprema da Natureza me fazia mudar de ideias. Haveria algo mais belo do que a Vénus de meu coração? Crei que não e se houver não é mulher, nem ser vivo.
- O crepúsculo está a falar para si, não lhe responde?- perguntou ela.
- Ele não irá certamente entender-me.- respondi eu.
- Porquê?- inquiriu ela.
- Porque ele nunca amou- voltei a responder.
- Quem é a sua inspiração?- perguntou ela
- A minha inspiração é aquela que vem ter comigo quando ninguém me estende a mão.
Ela ficou um pouco atordoada com a minha resposta e de seguida disse:
- O amor é assim, uma chama acesa na labareda do nosso coração.
- Amo-te- disse finalmente eu.
Ela olhou para mim e encostou sua boca à minha e ficamos eternamente sepultados no crepúsculo da vida.

domingo, 2 de novembro de 2008

Corredor da Morte


O rosto de Spencer reflectia a sua dor desmedida por ter de terminar ali todo um sonho que era apenas viver. Tudo o que Spencer gostava tinha de abdicar, tudo o que queria fazer na vida era agora um desejo inútil, pois a sua única ambição era agora sobreviver nem que fosse para viver na miséria. Juntamente com ele estavam cerca de dezoito condenados e muito provvelmente uma maioria estava inocente tal como Spencer.
O motivo de Spencer ser agora um "membro" do corredor da morte era simples: sabia algo sobre alguém muito influente e tencionava verbalizar todo os segredos desse homem poderoso nos media. Spencer pensava que no séc XXI já não existisse a opressão e a proibição da liberdade de expressão. Momentaneamente Spencer revivia toda a sua vida em bocados reminiscentes na sua cabeça. Pensava que estava ali por estar no momento errado à hora errada. Mas, alguém se dirigia para ele. Era uma figura humana, com traços bem delineados e que estava toldada num ar misterioso. A figura dirigia-se mesmo para ele e de um segundo para outro perguntou-lhe:
- David Spencer?
- Sim, sou eu- respondeu Spencer um pouco atarantado.
- Estou aqui para o ajudar. A partir de agora tudo o que sabe diga-me, tudo o que sente diga-me, tudo o que faça. diga-me.
Quem seria este homem que, chega ali e lhe pede para contar tudo o que ele faz, sente e sabe?

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Terra Prodigiosa


Oh milagre da natureza,
Oh milagre da vida!
Por entre os longos e esbeltos vales te ocultas
Onde o néctar se une ao idílico numa diva junção,
Onde as anis lágrimas correm pelos proeminentes olhos,
Manchados pelo labutar severo de teus servos
Que tudo fazem para que quem te enxergue te sinta,
A ti, que lhes alimentas a posteridade,
A ti, que albergas a talha do seixo por entre a calçada
A ti, que espelhas a eternidade e amparas o fim,
Tu, que te ergues dia a dia no alto de tua sumptuosidade,
Meu amo e patrono, isto é quanto eu te venero,
É toda a minha alma em ti,
Santo da vida.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

A Lógica da Decadência


"Estou na ruína. Já nada faz sentido em mim, já não tenho missão neste universo. Tudo o que amo afasta-se de mim. Já ninguém quer saber quem sou ou quem fui. Nada do que fiz no passado importa agora neste meu negrume presente. E o futuro, esse, não deverá existir. Não sei como agir para ultrapassar esta mágoa. No meu horizonte está apenas uma solução: o desaparecimento natural. Passo pelos transeuntes e todos me parecem transcendentes e vou sentindo, vou afundando-me na minha decadência. Meu coração está abandonado, ao relento, e à mão de quem se quiser apoderar dele. Minha alma está debelada e já nem a sinto. Será suplicar muito à Providência que dê azo a que eu seja alguém?"
Neste instante o homem prostra-se no encardo chão e fixa-se no céu esperando um sinal divino.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Peleja pela certeza


Sinto-te próxima, mas não alcanço
Vejo o deleite de teu corpo, mas estou tolhido
Quer almeje chegar a ti, não consigo,
Quer me detenha, algo me arrasta,
Minha alacridade não sabe se há-de revelar-se
Minha cipreste não sabe se há-de fazer-se pungir
Nada em mim é certo, nada em mim sabe o que compor
Gostava de ser vero com meu pensamento, mas,
Minha querença, tu sabes,
Sabes de que sofre meu ser,
Sabes o porquê de meu coração latejar desigual
Mas não o dizes e resguardas-te em ti,
Para que me faças pugnar por minha cura,
Tu.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Conforto da Alma


João sabia-o. Ele sabia que sua mãe tinha agora o seu semblante gravado no céu, mas não se conformava. Seu pai era agora o seu único amparo e João não podia mostrar-se débil, não podia sucumbir à mágoa da perda e, tinha de estar perene no coração de seu pai. Um dia, João ao vaguear no seu cinzento lar depara-se com seu pai a chorar, cabisbaixo no canto da sala. Aí, o mundo desabou sobre João. " Se meu pai, meu exemplo de vida, chora e cede, então como aguento eu isto"? João estava prestes a dar o passo rumo ao precipício mas, suportou e, num gesto de brio foi ter com seu pai dizendo-lhe:
- Pai, amo-te.
Passado poucos minutos, ambos se fixaram um no outro e, a João caí-lhe agora uma pequena lágrima de coragem pelo rosto. O pai, esse, olhava enternecido para seu filho e seu sucessor.
Abraçaram-se.

sábado, 4 de outubro de 2008

Biografia de nosso Amor


Ando errante, meu amor,
Por caminhos incertos, iluminado pela Lua,
E é teu olhar de esperança,
Aludindo-me a meu bem-querer
Eu te achei meu consolo,
Eu te achei, oh milagre de amor
O carrascoso Fado ousou atar nossa paixão
Mas, nossas almas não se apearam
E venceram.
Em ti está meu eu transformado,
E meu amor é o gesto escrito no teu ser,
Se presumires que minto,
Brada aos céus e vê tua face figurada
Podia-te escrever mais mas,
Os melhores versos estão no silêncio de nossa paixão.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Poema Obscuro, será?


O fim de tudo, o princípio de nada,
Será?
Saber amar, néscio no ódio,
Será?
Glória aos sem vida, labéu nos seres,
Será?
Gostar de ninguém, repugnar alguém,
Será?
Fido à mácula, pérfido do bem,
Será?
Prezar o insignificante, desvalorizar o importante,
Será?
Concretizar o quimérico, impossibilitar o real,
Será?
Sou um bom animal, sou um mau homem,
Será?

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Reste de Esperança


Logo cedo que te vi
Enxerguei o que era o amor
Soube querer e ser querido
Soube deleitar-me com o desejo da vida
Olhar para as estrelas e ver teu trejeito
Quis a triste sorte nos apartar,
Mas nem o Fado,
Distancia nossos corações
Corações arrebatados por latejar em conexo
Um amor entenebrecido por uma quimera
Uma utopia realizável pois quem se ama, não estremece
Meu bem-querer, acode a mi
No loco onde sempre estive e estarei
No teu coração.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008


Rogo-me de paixão por ti, meu amor
Ainda sinto a tua respiração em mim
Ousas imaginar que não te amo, mas,
Ouve o canto das sereias
E receberás tua resposta
Este é o amor urdido por nós
O amor com que devaneámos
Não o abjures, sente-o,
Voltemos à volúpia de nossos corpos
Deixemo-nos de zelos, de labéus injuriosos
Recorramos a nosso amor,
Às noites escusas de paixão ardente,
Voltemos a amar.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Amor Infernal


Lamúria infernal, queixume infernal
Por alma tua, que me deixa saudosista
Saudosista de um amor escapulido
Levado por ti, Mefistófeles
Que não tens piedade de nenhum
Nem de meu angelical amor
Que te entregou a alma
Sem olhar ao meio
E para atingir um fim
Amar-me para sempre.

Choro de Inverno


Choro por ti e,
Sou injuriado por chorar
Só não chora quem não tem coração
Só não chora quem não ama
Se o chorar me faz menos homem,
Não sei
Sei que choro por causa de ti
E isso,
Nem todos os homens podem celebrar,
Chorar por amor,
Por amar alguém.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Pedra Filosofal


Pela primeira vez neste blogue deixo-vos com um poema que não é da minha autoria. Pedra Filosofal de António Gedeão, deixo-vos também com a versão musical.
Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso,

como este ribeiro manso

em serenos sobressaltos,

como estes pinheiros altos

que em verde e oiro se agitam,

como estas aves que gritam

em bebedeiras de azul.



eles não sabem que o sonho

é vinho, é espuma, é fermento,

bichinho álacre e sedento,

de focinho pontiagudo,

que fossa através de tudo

num perpétuo movimento.



Eles não sabem que o sonho

é tela, é cor, é pincel,

base, fuste, capitel,

arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,

contraponto, sinfonia,

máscara grega, magia,

que é retorta de alquimista,

mapa do mundo distante,

rosa-dos-ventos, Infante,

caravela quinhentista,

que é cabo da Boa Esperança,

ouro, canela, marfim,

florete de espadachim,

bastidor, passo de dança,

Colombina e Arlequim,

passarola voadora,

pára-raios, locomotiva,

barco de proa festiva,

alto-forno, geradora,

cisão do átomo, radar,

ultra-som, televisão,

desembarque em foguetão

na superfície lunar.



Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida,

que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Amor Secreto


Ouvindo o restolho
Parecendo que ouço, mas não ouço

Disfarço,

Parecendo desatinado no restolho
Sou um tino não mais que atento,

Disfarço,

Parecendo taciturno e vápido
Sou garboso, jubilado por tua volúpia,

Disfarço,

Parecendo tíbio em mim
Sou insidiado por tua beleza,

Disfarço,

Parecendo delével por tudo
Sou um lastro imóvel,

Disfarço,

Disfarço para que não notes em mim
Para que te possa observar tacitamente,
Para que ninguém saiba que te amo.

Conhecimento Incógnito


Será fogo, isto que eu penso?
Será água, isto que eu sinto?
Será um nada feito de tudo
Será alma no espírito que se vai
Será sangue esvaindo-se pela corrente
Será coisa que aparece e se esfumaça
Será pujança no vigor da vida
Não sei se é o que será
Sei que vai e vem
Como alguém que não quer quem
Sei, porém, quem é esse alguém
Alguém que me tangera e segue para o fojo
Alguém que eclode sem que se dê a ver
Continuo, no entanto, sem saber o que será
Mas sabendo quem é esse alguém.

Amor, Para ti


Para ti,
Para ti de sentimento sem finitude
Para ti imaculada deusa
Para ti que sem temor pugnas por meu lustre
Para ti, primorosa, que mudas meu vápido mundo
Para ti que desafias a Providência com teu despejo
Para ti, de volúpia infinita, és o meu cirro,
Meu cirro para a felicidade
Para ti, que me enlevas com tua beleza
Para ti, que és afeita a mim e não me deixas
Para ti, impérfida mulher, impregno-me em ti
Para ti que me gostas e inebrias meu mundo
Para ti, que, se fosse cego vislumbrar-te-ia sempre em meu coração.

Lugar Íntimo


Lugar singelo, que nos rompe a alma
Lugar onde tudo jubila quando está ensombrado
Lugar santo onde se cometem heresias
Lugar onde a monção é algo inoportuno
Lugar malicioso que nos traça para o mágico
Lugar desatinado que nos ajuíza
Lugar açuceno coma mácula à espreita
Lugar mártir onde nos tornamos ledos
Lugar que mana uma agonia sumptuosa
Lugar cirro que alardeia sua garbosidade
Lugar pardo repleto de luz
Lugar de ninguém que é tudo,
Lugar teu.

Súplica


A severa chegou em mim,
Tal como antes sei amar
Tal como antes devoto-te mais que a essência
Tal como antes és a minha Natureza
Teu pranto, a limpidez das humildes águas
Tua beleza deificadora, do celeste vem
Assedoso capilar de jubilosos campos
Mudei e não sei mais voltar
Queda-me a nostalgia
A nostalgia de já teres sido o meu lastro
Vénus minha, este é o meu remir
Tal como antes, AMO-TE.

O Fim do Eterno


Vens sem rumo com teu merlim
Com despudor de Quixote
Almejando meu anoitecer
Alardeando-te de meu devir
Meu devir pelo teu pungimento
Teu açuceno gesto
É agora meu canudo
Tua deleitosa figura
É agora ensombrada por um labéu
Um labéu que não se exorciza de meu coração
Tudo nosso é delével
Meu desígnio é rugir
O eterno acabou em nós.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Fim Eterno

Vens sem rumo com teu merlim
Com despudor de Quixote
Almejando meu anoitecer
Alardeando-te de meu devir
Meu devir pelo teu pungimento
Teu açuceno gesto
É agora meu canudo
Tua deleitosa figura
É agora ensombrada por um labéu
Um labéu que não se exorciza de meu coração
Tudo nosso é delével
Meu desígnio é rugir
O eterno acabou em nós.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Conúbio

Garboso teu sorrir
Teus olhos meu coração
Coração que sobeja o latejar
Coração que bate escarlate ao te sentir
Sentimento que leva o poder da senhora lua
Sentimento debuxado em ti
Em ti, de açuceno amor
Te expedes destainada em mim
Manando teus desígnios
Outurgando-me a sede de viver
Amor,
Leva-me para o eterno.

Lugar Divino

Lugar singelo que me rompe a alma
Lugar onde tudo jubila quando está ensombrado
Lugar santo onde se cometem heresias
Lugar onde a monção é algo inopurtono
Lugar mágico que nos traça para o nal
Lugar desatinado que nos ajuíza
Lugar açuceno com a mácula à espreita
Lugar ledo onde nos tornamos sofredores
Lugar que mana uma agonia sumptuosa
Lugar cirro que alardeia a sua garbosidade
Lugar pardo repleto de luz
Lugar de ninguém que é de todos
Lugar teu.

Tal como antes...

A severa chegou a mim,
Tal como antes sei amar
Tal como antes devoto-te mais que a essência
Tal como antes és a minha natureza
Teu pranto a limpidez das humildes águas
Tua beleza deificadora do celeste vem
Assedoso capilar de jubilosos campos
Mudei e não sei mais voltar
Queda-me a nostalgia,
A nostalgia de já teres sido o meu lastro
Vénus minha este é o meu remir,
Tal como antes, amo-te.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

A Leveza da ida


Lembro-me do seu vulto
Sua àspera mão passando meu semblante
Sua voz almejando por mim
Seu trépido carácter invadindo a aura
A vaguidão da casa sem ele
Pugno pelo seu retorno em vão
Colarizo-me pela certeza da ida
Porquê?
A leveza de estarmos nesta vida
Sabendo que temos de partir,
Porquê?
Não o ter contíguo a mim
Aceno para sempre,
Aceno para ti,
Pai Santo

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Sol, meu egrégio Sol


Hoje vi o Sol,
O Sol flamejando no horizonte,
O Sol resplandecendo os seres
Quero tangerá-lo mas ele está eminente,
Eminente no este do estrelato
É um Sol obscuro no luar e avistado no clarão
Transcende a nossa vivência
Ergue-se no cume da existência,
Desfaz-se no crepúsculo da réstia
Este é o Sol que leva o poder da senhora Lua
Sol egrégio do nosso começo
Sol, esfera de girassol
Sol esfera escarlate
Sol, beleza fausta e crepuscular.

Batalha Arrebatadora


Estávamos ali como quem está no purgatório. Já não importava a nossa família, quem amámos, quem prezamos ou quem de nós gosta.
O sangue esvaía-se do semblante dos meus companheiros e eu estava translúcido. Não suportava a dor em mim, por não esboçar nenhum movimento. Pranteava agora a pujança falecida de meus colegas.
O inimigo não tinha escrúpulos e matava a sangue frio quem com ele pelejava.
Senti que aquele era o meu ocaso e a última coisa que tinha dito à minha família foi: " Não preciso de vocês, nem de ninguém. Só preciso da guerra."
Nestes meses últimos tinha-me tornado um ser áspero e severo com quem me rodeava. A guerra mutou-me. Ao ouvir esta palavra bélica remeto-me inexoravelmenete para o sangue, o sofrimento, a dor de seres inocentes, que por tiranos rancorosos, passaram a seres inerentes à guerra. A guerra compelia as pessoas envolventes em si.
Só pensava na impressão deixada na minha pátria. Na sua profundidade, sabia que os meus mais próximos sentiam que eu estava transformado pela guerra. Mas mesmo assim, rugia-me no coração, eles não mereciam aquela minha incúria.
Um fragor tirou-me do meu raciocínio. Um soldado tinha sido alvejado na perna e empenhava agora os músculos e ossos daquele ser.
A guerra, meus ilustres, é o arrebatamento íntimo de tudo o que nela entra.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Réstia de Sobejo


O eterno restou em mim
Sem ti não sobeja o concreto
Só incerteza abstracta
Lobrigo tua ida, mas não a sarei
Exaraste meu âmago amor
Minha mística de ser foi mitigada por ti
Alheaste-me de sentir o invisível
E não discernir o visível
Cindes meus sonhos e vais avante
Desfaleçi de tudo e do nada,
Sou uma réstia de ti.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Ser O Nada


Sigo o crepúsculo embevecido
Pensando que aquele será o nosso ocaso
E não voltaremos a amanhecer
Pensamentos negrumes no meu ser
Vaguidão abstracta do nada
Não devia pensar no nada ao ver a vida da beleza
Mas corrói-me a alma
Seja talvez o meu íntimo
Leva-me a tal tortuosidade
Ressinto-me da avidez de fazer glória
Estou a trespassar-me,
Sou nada.

Beleza Crepuscular


Nunca tinha visto nada assim. Seus traços esbeltos, seus olhos azuis fazendo recordar o marulhar das ondas, sua pele sedenta de amor, estava perante a beleza mais graciosa da existência.
Era fim de tarde e o crepúsculo já mitigava o semblante dos transeuntes na rua.
Tive receio em me pôr diante dela, mas roguei-me de ânimo e disse-lhe:
- Como o ocaso é lindo...
- Sim, eu venho cá todos os dias para o observar- referiu ela.
- Infortunamente todos acabaremos assim, como o Sol, mas não nos levantaremos todos os amanhecer.
- Isso é verdade, mas não podemos ter tanto negrume nos nossos pensamentos ao ver esta beleza da vida.- disse ela, orgulhosa de fazer parte daquela vida.
Estava apaixonado e não sabia como agir. Pela primeira vez estava enamorado daquela maneira.
Após longos minutos de diálogo, abraçá-mo-nos e ficamos a dançar unidos no crepúsculo.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Para Sempre


Estava ali. Estava ali para confirmar que a imortalidade é uma utopia. Perante mim estava o meu pai, na sua decadência mais profunda.
Estava deitado na cama, às portas do limiar da eternidade e eu já não podia fazer nada.
O seu coração já quase não latejava, sua boca estava sedenta de vida, seus olhos estavam cada vez mais enclausurados, mas ainda permanecia o seu espírito pugnador. Suas mãos ao tocarem-me provocam um intrínseco sentimento em mim.
Agora só me podia memoriar dos dias e luares que com ele passei.
As nossas longas e acesas conversas resultantes das nossas personalidades diferentes que convergiam nos pontos mais importantes.
Saberei viver sem a sua figura no meu destino?
Terei de rumar à vida e descobrir as suas inquirições pelo meu próprio pensamento.
Estava ali o meu exemplo de vida.
O meu exemplo de vida estava a desaparecer de mim.
Adormeceu.

Sonhos Transcendentes


São quimeras mil,
Meus sonhos vagueando pelo breu da noite
Sonhos que se esmorecem no oriente
Sonhos que cindam o nosso pensamento
Sonhos devassos no ocaso do horizonte
Sonhos esparsos pelo escabroso tempo
Sonhos que tornam hostil a realidade
Sonhos amarguradores no desejo de ter
Fazem do acerbo algo deificador
Sonhos variados pelos existentes
Sonhos sonhados pela nossa transcendência
Sonhos conceptores da existência.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Ida sem retorno


Faço-me sentir nos sobejos do teu coração
Como quem ama a saudade
De longe vais, mas de perto não vens
Vou fazendo
Imaginando no crepúsculo da tua partida
Quero-te tanto
Agora adormecerei nos braços da tua ida
Amargando-te fiz-te luzir
Alvitro pelo teu retorno
Estou inacabado
No oriente já rumas
Mas, adverso ao destino,
Quero estar contigo num momento chamado sempre.

Memórias Eternas


Sento-me no sofá destroçado pelas memórias que fui tendo pelo passar dos estios.
Aquela casa no rio onde passava os meus dias e noites de árduo calor, ensombreado pela brisa tortuosa das águas daquele rio que passava na vanguarda daquela casa.
Naquele sofá passaram gerações da minha genealogia.
Aquele mesmo sofá que abarcara as mágoas de todos os meus ascendentes.
A melancolia pairava nas divisões daquela casa.
Agora era eu que tinha de curiar daquela humilde casa, após o adormecimento do meu pai e posteriormente da minha mãe.
As minhas reminiscências daquela casa remetiam-me, inexoravelmente, para as lágrimas escorridas do meu pai e da minha mãe ali mesmo, naquela casa, naquele sofá.
Aquela era uma casa escarlate, com o seu coração instalado na sala de estar, com 3 quartos nostálgicos das minhas recordações. Por fora corria um rio de águas calmas onde luzia o sol e onde resplandecia o luar da noite.
Após este dia sei que algo me fica: o essencial é invisível aos olhos.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Ode da Liberdade


Párias são aqueles que não a curiam
Pugnas lancinantes e pungentes trespassadas para a fruir
Todos aqueles que a granjeiam são luzidos por ela
Aqueles que a impugnam são ensombrados pelo negrume
Assaz Liberdade para se tornar se lassa
Dotada do fragor que sucumbe os enclausuradores
Concomitante à vanguarda do Mundo
Perene no âmago de cada ser
No amanhã poderá ser uma reminiscência
Teremos que a designar como um dogma, hoje.

Mundo Livre


Sento-me na cadeira da vida a falar monologamente sobre as inquirições do ser.
Começo a pensar no que me induz a escrever esta mesma prosa: a liberdade.
A Liberdade é algo que todos alvitram desde o seu brotar; a liberdade de se poder erguer e caminhar, a liberdade de ir para a escola, a liberdade de se casar, a liberdade de viver para a morte.
Esta mesma liberdade que ainda, hodiernamente, pugna em não luzir para alguns.
Uma Liberdade que, se não for assazmente curiada torna-se lassa, uma liberdade que deveria ser um dogma.
Não sou douto o suficiente para saber com minúcia o porquê dos transeundos não se importarem com esta questão.
A Liberdade não pode ter o desígnio de uma mera monção, tem de ser granjeada para ser fruida nos seus termos certos.
Quem abusa ou não faz usufruto da Liberdade não passa de um pária, um Homem insensível à sobrevivência da existência.
A Liberdade não se pode desenvolver como uma reminiscência. É algo perene no âmago de casa ser.

domingo, 23 de março de 2008

Meu Mundo Âmago


Meu Mundo é parco,
Parco do ser e do infinito
É impiedoso para quem lá dentro está
É escarlate como o ocaso do sol,
É negro como a escuridão do silêncio
Faz de mim um ser inacabado
Faz de mim um ser pleno
Transparece, embrenha, impregna
Sabe jubilar
Sabe ser obscuro e penoso
Faz e torna o rumo diverso
É o meu Mundo
É o meu ínfimo.

A Saudade


Saudade,
Escrutina a nossa alma
Incessa-nos o espírito
Sentimento que acerba o ser
Sentimento que nos matura
Faz-nos lacrimejar
Faz-nos sentir
Impele-nos para a vida
Ultrapassa os limites do horizonte
É a derradeira conexão com o ínfimo,
A Saudade é o crepúsculo do coração.

sábado, 22 de março de 2008

Beleza Rara


Sento-me na penumbra do horizonte
Escrevo no incerto e em direcção ao nada
Açulando meu sentido eloquente
Embrenho-me na solidão das palavras
E na impregnação da escrita
Vislumbro algo belo
Começo a ficar imparado
Esta beleza emana um luzente olhar
Exala um odor aromático
Esta beleza é a minha alma deificadora
É esta beleza que me inspira
Beleza que é bela e imponete,
Beleza rara.

Verdade


Verdade,
Verdade que dói quando clamada
Verdade oculta quando não alvitrada
Verdade impiedosa no fundo do ser
Verdade que emudece a mentira
Verdade precisa para a nossa existência
Verdade que ruge na alma
Verdade que se assoma na vida,
Verdade mãe do infinito
Verdade protectora do Universo.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Partida para a penumbra


Cuida do meu ser
Não deixes que eu me incurie
Nesta instância frágil da minha existência
Esta existência é uma passagem para a morte
A cada tempo que passa sinto-te mais longe
Amor, para sempre estarás no meu coração
Vá eu para onde for
Este é o meu tempo de partir,
Adormeci.

Egrégio Amor


Amo-te
Não podemos vetar o nosso amor
Um amor por vezes acerbo
E outras vezes fulgurante
Um amor que sibila por onde passa
Um amor incessante e fauno
Amor que nos faz luzir e sentir
Ele é a nossa essência
Curiemos o nosso amor,
Não o deixemos ter um fim,
Ama-me.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Conhecimento âmago


Conheço-te bem,
Teus olhos frágeis, tua sensibilidade, teus ímpetos
Também me conheces bem
Meus feitios, meus traços, meus calos
Serei o conceptor dos seres que guarneceres
Sei o que és, sei os teus sonhos
Irrompe por mim teus sentimentos
Eu impelar-te-ei para mim
Deusa do meu coração
Faz-me ser.

Lágrima de amor


Não lacrimejes,
Sei que vou, mas chegarei a voltar
Não quero que deixes de ser essa menina venusta
Agora terei de partir
Vislumbro o teu semblante pranteando
Sabes que estás perene em mim,
Regozija-me com o teu sorriso
É o que te alvitro
Mas no meu coração, algo mais vai,
Saudade.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Viagem sem retorno


Viajo,
Pelos mares da saudade escabrosos,
Para trás deixo os meus
E comigo vão os mais temerários
Navego pelas ondas emudecidas
Entre os sons sepulcrais dos rochedos
Impreco por novas conquistas
E por novos terrenos
Este é o meu Fado,
Servir a ocidental praia lusitana.

Faz-me ser


Vem para mim,
Ofusca-me com o teu sorriso humilde
E com os teus tímidos olhos
Deixa-me tocar nessa tua pele opulenta de amor
Sei que te faço amargar
Mas sou um sonhador
Se fores não serei mais
Se ficares serei melhor
Só alvitro uma coisa,
Gosta de mim.

terça-feira, 18 de março de 2008

A Morte


Morte, que palavra impiedosa!
Atroz, mordaz, displicente, obscura,
Palavras para descrever uma palavra,
Mas verdadeiramente há alguém que saiba o que é a Morte?
Como é possível uma palavra destas aparecer nas minhas odes?
Normalmente num canto lírico não aparecem palavras destas,
Estarei-me a tornar numa pessoa psicologicamente afectada?
Como é possível? Eu devia estar a falar de amor, adolescência, puberdade…
Talvez porque seja um tema falado pelos alheios,
Um tema que intriga, um tema que ninguém gosta de conhecer profundamente,
Mas que toda a gente sabe que será o seu Fado,
Morte, o que será “isso”?
Vou tentar descobrir e quando a encontrar eu digo…

segunda-feira, 17 de março de 2008

A nossa envolvência


Vem, vamos deixar-nos envolver,
Vamos glorificar o amor e perpetua-lo,
Deixa que o teu corpo se envolva no meu,
Não temas, por vezes o amor é atroz.
Não serei demasiado voraz, nem demasiado leviano
Também receio, também ambiciono
Sei quais são os limites,
Mas, amor,
Vamos acontecer.

domingo, 16 de março de 2008

O Amor no início


Amor, vem, junta o teu corpo ao meu,
Deixa que a tua voz lânguida ecoe por mim,
Deixa que se veja o pranto caindo da tua face.
Não deixes que os transeuntes te olhem assim
Guarda para ti no mais recôndito lugar.
Não fragilizes, nem mostres veemência,
Porém com algo podes tu contar sempre,
Eu estou aqui.

Questões da Vida


- Sabes pai, ás vezes sinto falta da mãe. Sinto falta da sua mão meiga passar-me pelo rosto, sinto falta dos seus beijos delicados, sinto falta do seu júbilo, sinto falta...
- Calma, filho, calma!
- Pai! Abraça-me! Abraça-me por favor!
Após longos minutos de envolvência, Jõao volta a falar:
- Pai, porque é que a vida é tão dura? Dura com toda a gente?
- A vida é dura para que possamos encontrar a nossa felicidade.
- Mas então, porque é que a felicidade é tão difícil? Porque é que temos de passar por tantos calvários para a encontrar?
Fez-se um silêncio na sala. Lá fora ainda restava alguma geada matinal. As conversas entre pai e filho eram sempre emocionais.
- Porque é que há pobreza e fome no mundo? Eu queria tanto ajudar as pessoas, pai. Porqué é que há morte?
- Filho, a morte é algo obscuro, é o nosso Fado.
João saíra de casa e ao cambalear pela rua, encontra um vagabundo e opta por ir ter com ele:
- Desculpe, porque é que você é pobre e passa fome?
- Sabes, eu estou assim porque não soube mourejar a vida. Agora vai gaiato, não ligues a alguém que não pode fazer nada pela tua vida, eu só a vou estragar...
Uma lágrima de pesar caía agora sobre o rosto envelhecido do vagabundo.
CONTINUA.