segunda-feira, 18 de junho de 2012

Para O Knut

Vivo na miséria.
Na miséria física, não mental.
Mas quero esta miséria.
Não almejo mais nada senão a miséria.

Só quero pensar.
Pensar e escrever. Compulsivamente.
A minha sobrevivência é o meu pensamento.
Mas vou enfraquecendo, dizem.

Invento. Desde nomes a imagens.
Invento palavras até, mas com sentido.
Sentido para esta lástima em que me encontro.
Vou alucinando contos e escritos. Perdi o meu nome.

Já não tenho crenças. Nunca tive, de resto.
Esta vida que nos querem dar, não vale nada. Nada.
Não sou Dostoievski. Serei Kafka, um dia.
A minha condição não gosta de nada que me oferecem.

Quero escrever! Deixem-me escrever!
Não quero comer! Não quero mais nada material.
Sou espiritual. Não me tentem salvar, só preciso do lápis.
Já não me encontro mais. Deixo-vos esta arte.
A arte da fome.

sábado, 16 de junho de 2012

Um Não-Amor

Monotonia, acalmia.
Tudo à minha volta se revia, na nostalgia.
Sem amor, com ilusão, 
Sem coração, com decepção.

De repente, um sopro.
Um sopro sem cor, creio, mas com muita alma.
Essa alma vinha leve, calma, como a brisa.
Essa alma naquele sopro eras tu.

E a monotonia foi alegria.
E a nostalgia não mais foi ditadora do meu pensamento.
Com ilusão, com coração.
Com paixão, com amor.

Mas não te posso amar.
Esse sopro veio com tristeza.
A tristeza que sempre me cercou.
Um cerco de infortúnio, de um não amor.

Prefiro o tão angustiante repouso.
Sempre é menos doloroso do que te amar.
Quero a vida sem vida, que essa não tem amor, e o amor magoa.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Sabes


Sabes a beleza,
Sabes ao doce encanto dos verdes campos
E à misteriosa verdade de um sonho.
Sabes ao ar, puro e límpido como o teu olhar.

Sabes a ternura,
Sabes àquela simplicidade que dá forma à vida
E eu saboreio tudo o que me dás
Sem questionar, sem pensar, apenas sendo feliz.

Soam as trombetas do amor,
Cantam líricas as aves à tua passagem.
E, ao mostrares tal elegância,
Algo refresca e alimenta este meu ser.

Sorris com o coração
Sem saber sequer que te quero.
E o Mundo vai girando, o homem evoluindo, as coisas passando
E eu, eu vou amando.