quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Infância


A infância que dizem alegre,
É decadente
Se nela podia encontrar o que desejo
Descubro apenas a leve dor de meu ser.

Dizem também que é passageira
Mas é ela que faz o que sou
E é por ela que serei sempre
O Homem que nunca é feliz.

É ela que me impede de amar
É ela que me coloca assim, sozinho
Pois era nela que devia amar e ser feliz
E, por cruel destino, não fui.

E assim, resigno-me à miséria,
Pois não existe luta em mim
E a que há é para combater a sobrevivência
Que se esgota e afasta, distanciando-me da vida.


Martim da Ega

Solidão


Não preciso de ninguém,
Preciso de quem me conheça
Mas, se eu não me conheço
Então não preciso de ninguém.

A minha solidão satisfaz-me
Ela é a minha companhia
É a única que me conhece
E me preenche o ser.

Quem ma quiser tirar
Terá de se esforçar,
Pois eu, sou dois
E esses nunca se encontram.

Agora vivo bipolar
Contradizendo quem sou
Nunca tendo um único pensamento
E raivoso de alguém que não sei quem.



Martim da Ega