terça-feira, 10 de novembro de 2009

Desconhecida


Não te conheço, ó ser virginal
Não sei o teu nome,
Nunca saberei
Mas não quero saber.

Vou seguir ignorante,
Pois tenho medo de saber
E que tudo o que vejo
Se desvaneça ao sentir-te.

A distância alimenta esta paixão
O desconhecido estimula o desejo
O impossível acaba com tudo
E eu adormeço sobre esse sonho de nada.

Como tu, não existe,
E se existir que não se mostre
Pois gosto deste engano
E de sentir, por ti, este ardor.

Mostra-me a sedução
Com esse olhar inocente
Sorri com o mistério
E deixa que eu invente.

Sei que é coisa que vale nada
Para pacóvios que não amam
Mas, para quem ama sem razão,
És tu, que dás alento a este coração.

Na Ilusão De Uma Andorinha...Tu


Vê como voam as andorinhas
Sente o seu cheiro a liberdade
E observa o seu brilho,
De quem pode voar sem pensamento.

Querias o seu talento,
Saber voar, voando
Mas não pois a forma como as olhas,
Faz-te parecer como elas.

Em ti vejo tanta da sua inconsciência
E gosto
Reconforta-me saber que vives como elas
Mas tu, na ilusão e elas,
Na impossibilidade de ilusão.

Vai vivendo no teu ser
E, quando quiseres, absorve-me
Se o conseguires serás feliz
Se não, fica na ilusão que o pensamento magoa.

Tu, tão terna e frágil, não mereces esta minha dor
Querer eu que atinjas a verdade nessa iusão
E que partilhes comigo essa pureza
De não pensar e ser feliz.

Mas não te afeiçoes
Sê tu e sê livre
Pois tudo o que te posso dar é dor
De quem está preso e não pode viver.


Martim da Ega

Frustração


Não posso amar
Se não sei o que é o amor
Nem quero dele saber
Pois fica-me medo de me apaixonar.

Não quero amar
Quem me queira
Nem quem não me queira,
Amo apenas o que sei de certo,
Que é nada.

Não sei amar
Nunca a vida quis que soubesse
Pois sofrimento é o único sentido de meu amor
Que, por não ser eterno, não vale o meu coração.

Cai sobre mim a frustração
De quem é incapaz de amar,
Por pensar no amor
E perceber que, nele, só há dor.

Não Posso Amar


Fazes-me inconsciente,
O teu ser afasta a razão
Que vai rodeando o coração
Mas só por momentos.

Ah! Poder teu ser ser eterno
Para durar a minha inconsciência
Não uma réstia apenas
Mas todo um momento consciente.

Mas essa luz, como que se apaga
Para se assomar a escuridão.
Como é negro o meu pensamento
Que contrasta com o brilho da razão!

E tu, fechas os olhos,
De quem já nada pode fazer
Por este pobre pensador
Que se quer converter.

Ser a tua voz conversão
Do pensamento para a razão
Da razão para a paixão
E poder eu te amar
Sem que me sinta carregado
Com aquilo que me estorva.


Martim da Ega