quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Poema Obscuro, será?


O fim de tudo, o princípio de nada,
Será?
Saber amar, néscio no ódio,
Será?
Glória aos sem vida, labéu nos seres,
Será?
Gostar de ninguém, repugnar alguém,
Será?
Fido à mácula, pérfido do bem,
Será?
Prezar o insignificante, desvalorizar o importante,
Será?
Concretizar o quimérico, impossibilitar o real,
Será?
Sou um bom animal, sou um mau homem,
Será?

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Reste de Esperança


Logo cedo que te vi
Enxerguei o que era o amor
Soube querer e ser querido
Soube deleitar-me com o desejo da vida
Olhar para as estrelas e ver teu trejeito
Quis a triste sorte nos apartar,
Mas nem o Fado,
Distancia nossos corações
Corações arrebatados por latejar em conexo
Um amor entenebrecido por uma quimera
Uma utopia realizável pois quem se ama, não estremece
Meu bem-querer, acode a mi
No loco onde sempre estive e estarei
No teu coração.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008


Rogo-me de paixão por ti, meu amor
Ainda sinto a tua respiração em mim
Ousas imaginar que não te amo, mas,
Ouve o canto das sereias
E receberás tua resposta
Este é o amor urdido por nós
O amor com que devaneámos
Não o abjures, sente-o,
Voltemos à volúpia de nossos corpos
Deixemo-nos de zelos, de labéus injuriosos
Recorramos a nosso amor,
Às noites escusas de paixão ardente,
Voltemos a amar.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Amor Infernal


Lamúria infernal, queixume infernal
Por alma tua, que me deixa saudosista
Saudosista de um amor escapulido
Levado por ti, Mefistófeles
Que não tens piedade de nenhum
Nem de meu angelical amor
Que te entregou a alma
Sem olhar ao meio
E para atingir um fim
Amar-me para sempre.

Choro de Inverno


Choro por ti e,
Sou injuriado por chorar
Só não chora quem não tem coração
Só não chora quem não ama
Se o chorar me faz menos homem,
Não sei
Sei que choro por causa de ti
E isso,
Nem todos os homens podem celebrar,
Chorar por amor,
Por amar alguém.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Pedra Filosofal


Pela primeira vez neste blogue deixo-vos com um poema que não é da minha autoria. Pedra Filosofal de António Gedeão, deixo-vos também com a versão musical.
Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso,

como este ribeiro manso

em serenos sobressaltos,

como estes pinheiros altos

que em verde e oiro se agitam,

como estas aves que gritam

em bebedeiras de azul.



eles não sabem que o sonho

é vinho, é espuma, é fermento,

bichinho álacre e sedento,

de focinho pontiagudo,

que fossa através de tudo

num perpétuo movimento.



Eles não sabem que o sonho

é tela, é cor, é pincel,

base, fuste, capitel,

arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,

contraponto, sinfonia,

máscara grega, magia,

que é retorta de alquimista,

mapa do mundo distante,

rosa-dos-ventos, Infante,

caravela quinhentista,

que é cabo da Boa Esperança,

ouro, canela, marfim,

florete de espadachim,

bastidor, passo de dança,

Colombina e Arlequim,

passarola voadora,

pára-raios, locomotiva,

barco de proa festiva,

alto-forno, geradora,

cisão do átomo, radar,

ultra-som, televisão,

desembarque em foguetão

na superfície lunar.



Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida,

que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança.