sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Tentativa de Ser Uma Pessoa Acabada


Fiz o que pude
O que não pude façam vocês
Não posso dar mais de mim
Tudo o dei já não existe
Como aquilo que me fez dar,
A vida.

Já não a tenho e a que me resta
Desaparece com estas palavras
Que neste instante
São tudo o que tenho para vos dar.

Fui incompleto e completei-me
Fui alguém sem ser o que é
Fui quem não quis ser, pois quem quis ser
Nunca descobri.

Agora vem e leva-me
Como uma brisa de vento
Que não faz voar mais nada
Leva-me e apaga-me para que,
Seja fugaz, a partida.


Martim da Ega

Canto De Uma Pessoa Acabada


Esta demência que me acossa
É o resultado da minha genialidade
Que desperta um ser oculto
E um mundo exótico existente de pormenores.

Pequenos pormenores
Que ordenam todo este Universo
Abalado por ideias magistrais
Que permitem os meus pensamentos.

A escuridão em que me encontro
Revela o estado de espírito
Desta alma insana
Tétrica de amor pelo instante.

E a inspiração que se alumia
Emana-se do mundo que se vê pela janela
Um mundo sombrio e sinistro
Que não se dista do meu estado senil.

Peço agora o valor
Não para mim que sou inútil,
Mas para o que vos deixo
Que reproduz o nosso Mundo
Que sofre para existir e não tem culpa
De quem o não quer viver.

Se o faço é
Porque não quero viver nesta pena
E deixo, quem quer viver, em paz
E não poluo com os meus pensamentos reais
Aqueles que querem viver na ignorância.

É essa pessoa,
Exausta de pensar e debelada pela resignação,
Farta das insuficiências
Que alcança o Apocalipse
Tardio em aparecer para esta alma já exterminada.

Agora agarro-me ao baraço
O único amigo que me traz o que quero
Já que, pelo destino,
Continuava meu corpo a ser matéria.

Amanhã irei escrever-vos
Para vos contar como é bela a vida etérea.
Enquanto isso não advém(não falta muito)
Fiquem com os meus escritos terrenos.


Martim Da Ega

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Tédio Inconsciente


Os olhares fixam o infinito
Cansativo e moroso
Que provoca o tédio a quem observa
Tornando finito aquele momento.

As caras pesadas e carrancudas
Suportadas pelos emolientes corpos
Transportam o vagar do pensamento
Que se quer evadir para outra dimensão.

E o longo eco que nos penetra
Sai malogrado pela derrota
De não conseguir surtir efeito
Naqueles que não estão dispostos a tal.

Ouve-se agora o batimento fatal
Da chuva que esbarra na janela
Transparente da hipócrita atenção
Que revela a ignorância da gente.

Até que se dá a libertação,
E os incógnitos escapam
Para o que julgam ser o caminho certo
Quando, inconscientes, querem fugir
Daquilo que, em nós, pesa e
Dá trabalho a encontrar.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Existência


Eu, saberei realmente quem sou?
Certamente que não,
Pois a verdade não está no que penso ser
Mas sim no desconhecimento de quem sou.

Essa perturbadora ignorância tortura-me
Não gostava de saber quem não sou( a surpresa ainda me mata)
Mas não quero ter a ideia de que sou ignóbil de mim.
Apenas gostava de saber se o que sou,
Ampara e oculta quem não sou.

Esta sina é avassaladora
Este meu nada que é tudo, não o encontro
E encontro o tudo que é nada,
Pois este jamais será aquilo que na verdade sou.

Sei, no entanto, que sou louco
Pois eu sou os meus pensamentos
E se esses devaneiam na loucura
Eu só posso ser louco.

Dizem que sou estranho
Mas como podem eles
Julgar de tão leviano juízo
Se nem eles próprios sabem o que são?

Posso, de facto, ser estranho
Por querer saber o irreal
Mas e se estranhos forem os outros,
E eu seja uma pessoa normal?

Agora, escrevo sobre o que não sei
Neste poema que não sabe porque existe
Dou forma a ideias inexistentes
Sobre aquilo que, na realidade, não é.

Chego ao meu temor,
Ninguém sabe o que é,
Ninguém sabe porque o é,
Nem nunca ninguém vai saber o que é ser algo,
Pois aquilo que nos limita é mais forte
Do que a vontade de saber quem somos.




Com as sinceras cerimónias,
Martim da Ega

sábado, 3 de outubro de 2009

O Meu Recanto


Para Ti:
Sentado na esplanada a beber um mole café que escaldava na boca. Esta era a minha figura naquele pôr-do-sol estridente. Tudo parado, tudo sem sentido, tudo tão tétrico. Era assim que gostava de estar e de me sentir. Mas tudo o que era tão lógico nesse dia parou. Tudo parou naquele louco instante de paixão. Devaneava-se uma visão edénica à minha frente caminhando em direcção ao crepúsculo. Prostrei-me de cegueira por aquela maravilha.
Aqueles olhos de esperança fugiam com os seus longos cabelos para um lugar onde só existia eu e ela.
Dirigi-me para esse lugar tentando sorte no que estava condenado ao triste Fado.
- Gostas do crepúsculo?- perguntou a minha voz trémula.
- Sim, é o infinito daquilo que nos rodeia.- disse aquela delicada boca ávida de afecto.
- Sabes, o brilho que emana o crepúsculo é o culminar de um momento perfeito- disse eu.
E ela, como quem enternece o instante beija-me. E naquele beijo estava tudo o que de mim podiam tirar.
Depois ergueu-se e seguiu com o meu coração no seu peito.
Nunca mais a vi. Agora sempre que vejo o pôr do sol penso em ti e em como tudo é imperfeito. Mas não me importo pois sei que estarás sempre aqui.

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