
Eu, saberei realmente quem sou?
Certamente que não,
Pois a verdade não está no que penso ser
Mas sim no desconhecimento de quem sou.
Essa perturbadora ignorância tortura-me
Não gostava de saber quem não sou( a surpresa ainda me mata)
Mas não quero ter a ideia de que sou ignóbil de mim.
Apenas gostava de saber se o que sou,
Ampara e oculta quem não sou.
Esta sina é avassaladora
Este meu nada que é tudo, não o encontro
E encontro o tudo que é nada,
Pois este jamais será aquilo que na verdade sou.
Sei, no entanto, que sou louco
Pois eu sou os meus pensamentos
E se esses devaneiam na loucura
Eu só posso ser louco.
Dizem que sou estranho
Mas como podem eles
Julgar de tão leviano juízo
Se nem eles próprios sabem o que são?
Posso, de facto, ser estranho
Por querer saber o irreal
Mas e se estranhos forem os outros,
E eu seja uma pessoa normal?
Agora, escrevo sobre o que não sei
Neste poema que não sabe porque existe
Dou forma a ideias inexistentes
Sobre aquilo que, na realidade, não é.
Chego ao meu temor,
Ninguém sabe o que é,
Ninguém sabe porque o é,
Nem nunca ninguém vai saber o que é ser algo,
Pois aquilo que nos limita é mais forte
Do que a vontade de saber quem somos.
Com as sinceras cerimónias,
Martim da Ega