
Para Ti:
Sentado na esplanada a beber um mole café que escaldava na boca. Esta era a minha figura naquele pôr-do-sol estridente. Tudo parado, tudo sem sentido, tudo tão tétrico. Era assim que gostava de estar e de me sentir. Mas tudo o que era tão lógico nesse dia parou. Tudo parou naquele louco instante de paixão. Devaneava-se uma visão edénica à minha frente caminhando em direcção ao crepúsculo. Prostrei-me de cegueira por aquela maravilha.
Aqueles olhos de esperança fugiam com os seus longos cabelos para um lugar onde só existia eu e ela.
Dirigi-me para esse lugar tentando sorte no que estava condenado ao triste Fado.
- Gostas do crepúsculo?- perguntou a minha voz trémula.
- Sim, é o infinito daquilo que nos rodeia.- disse aquela delicada boca ávida de afecto.
- Sabes, o brilho que emana o crepúsculo é o culminar de um momento perfeito- disse eu.
E ela, como quem enternece o instante beija-me. E naquele beijo estava tudo o que de mim podiam tirar.
Depois ergueu-se e seguiu com o meu coração no seu peito.
Nunca mais a vi. Agora sempre que vejo o pôr do sol penso em ti e em como tudo é imperfeito. Mas não me importo pois sei que estarás sempre aqui.
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