quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Terra Prodigiosa


Oh milagre da natureza,
Oh milagre da vida!
Por entre os longos e esbeltos vales te ocultas
Onde o néctar se une ao idílico numa diva junção,
Onde as anis lágrimas correm pelos proeminentes olhos,
Manchados pelo labutar severo de teus servos
Que tudo fazem para que quem te enxergue te sinta,
A ti, que lhes alimentas a posteridade,
A ti, que albergas a talha do seixo por entre a calçada
A ti, que espelhas a eternidade e amparas o fim,
Tu, que te ergues dia a dia no alto de tua sumptuosidade,
Meu amo e patrono, isto é quanto eu te venero,
É toda a minha alma em ti,
Santo da vida.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

A Lógica da Decadência


"Estou na ruína. Já nada faz sentido em mim, já não tenho missão neste universo. Tudo o que amo afasta-se de mim. Já ninguém quer saber quem sou ou quem fui. Nada do que fiz no passado importa agora neste meu negrume presente. E o futuro, esse, não deverá existir. Não sei como agir para ultrapassar esta mágoa. No meu horizonte está apenas uma solução: o desaparecimento natural. Passo pelos transeuntes e todos me parecem transcendentes e vou sentindo, vou afundando-me na minha decadência. Meu coração está abandonado, ao relento, e à mão de quem se quiser apoderar dele. Minha alma está debelada e já nem a sinto. Será suplicar muito à Providência que dê azo a que eu seja alguém?"
Neste instante o homem prostra-se no encardo chão e fixa-se no céu esperando um sinal divino.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Peleja pela certeza


Sinto-te próxima, mas não alcanço
Vejo o deleite de teu corpo, mas estou tolhido
Quer almeje chegar a ti, não consigo,
Quer me detenha, algo me arrasta,
Minha alacridade não sabe se há-de revelar-se
Minha cipreste não sabe se há-de fazer-se pungir
Nada em mim é certo, nada em mim sabe o que compor
Gostava de ser vero com meu pensamento, mas,
Minha querença, tu sabes,
Sabes de que sofre meu ser,
Sabes o porquê de meu coração latejar desigual
Mas não o dizes e resguardas-te em ti,
Para que me faças pugnar por minha cura,
Tu.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Conforto da Alma


João sabia-o. Ele sabia que sua mãe tinha agora o seu semblante gravado no céu, mas não se conformava. Seu pai era agora o seu único amparo e João não podia mostrar-se débil, não podia sucumbir à mágoa da perda e, tinha de estar perene no coração de seu pai. Um dia, João ao vaguear no seu cinzento lar depara-se com seu pai a chorar, cabisbaixo no canto da sala. Aí, o mundo desabou sobre João. " Se meu pai, meu exemplo de vida, chora e cede, então como aguento eu isto"? João estava prestes a dar o passo rumo ao precipício mas, suportou e, num gesto de brio foi ter com seu pai dizendo-lhe:
- Pai, amo-te.
Passado poucos minutos, ambos se fixaram um no outro e, a João caí-lhe agora uma pequena lágrima de coragem pelo rosto. O pai, esse, olhava enternecido para seu filho e seu sucessor.
Abraçaram-se.

sábado, 4 de outubro de 2008

Biografia de nosso Amor


Ando errante, meu amor,
Por caminhos incertos, iluminado pela Lua,
E é teu olhar de esperança,
Aludindo-me a meu bem-querer
Eu te achei meu consolo,
Eu te achei, oh milagre de amor
O carrascoso Fado ousou atar nossa paixão
Mas, nossas almas não se apearam
E venceram.
Em ti está meu eu transformado,
E meu amor é o gesto escrito no teu ser,
Se presumires que minto,
Brada aos céus e vê tua face figurada
Podia-te escrever mais mas,
Os melhores versos estão no silêncio de nossa paixão.