Vivo na miséria.
Na miséria física, não mental.
Mas quero esta miséria.
Não almejo mais nada senão a miséria.
Só quero pensar.
Pensar e escrever. Compulsivamente.
A minha sobrevivência é o meu pensamento.
Mas vou enfraquecendo, dizem.
Invento. Desde nomes a imagens.
Invento palavras até, mas com sentido.
Sentido para esta lástima em que me encontro.
Vou alucinando contos e escritos. Perdi o meu nome.
Já não tenho crenças. Nunca tive, de resto.
Esta vida que nos querem dar, não vale nada. Nada.
Não sou Dostoievski. Serei Kafka, um dia.
A minha condição não gosta de nada que me oferecem.
Quero escrever! Deixem-me escrever!
Não quero comer! Não quero mais nada material.
Sou espiritual. Não me tentem salvar, só preciso do lápis.
Já não me encontro mais. Deixo-vos esta arte.
A arte da fome.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
sábado, 16 de junho de 2012
Um Não-Amor
Monotonia, acalmia.
Tudo à minha volta se revia, na nostalgia.
Sem amor, com ilusão,
Sem coração, com decepção.
De repente, um sopro.
Um sopro sem cor, creio, mas com muita alma.
Essa alma vinha leve, calma, como a brisa.
Essa alma naquele sopro eras tu.
E a monotonia foi alegria.
E a nostalgia não mais foi ditadora do meu pensamento.
Com ilusão, com coração.
Com paixão, com amor.
Mas não te posso amar.
Esse sopro veio com tristeza.
A tristeza que sempre me cercou.
Um cerco de infortúnio, de um não amor.
Prefiro o tão angustiante repouso.
Sempre é menos doloroso do que te amar.
Quero a vida sem vida, que essa não tem amor, e o amor magoa.
Tudo à minha volta se revia, na nostalgia.
Sem amor, com ilusão,
Sem coração, com decepção.
De repente, um sopro.
Um sopro sem cor, creio, mas com muita alma.
Essa alma vinha leve, calma, como a brisa.
Essa alma naquele sopro eras tu.
E a monotonia foi alegria.
E a nostalgia não mais foi ditadora do meu pensamento.
Com ilusão, com coração.
Com paixão, com amor.
Mas não te posso amar.
Esse sopro veio com tristeza.
A tristeza que sempre me cercou.
Um cerco de infortúnio, de um não amor.
Prefiro o tão angustiante repouso.
Sempre é menos doloroso do que te amar.
Quero a vida sem vida, que essa não tem amor, e o amor magoa.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Sabes
Sabes a beleza,
Sabes ao doce encanto dos
verdes campos
E à misteriosa verdade de
um sonho.
Sabes ao ar, puro e
límpido como o teu olhar.
Sabes a ternura,
Sabes àquela simplicidade
que dá forma à vida
E eu saboreio tudo o que
me dás
Sem questionar, sem
pensar, apenas sendo feliz.
Soam as trombetas do
amor,
Cantam líricas as aves à
tua passagem.
E, ao mostrares tal
elegância,
Algo refresca e alimenta
este meu ser.
Sorris com o coração
Sem saber sequer que te
quero.
E o Mundo vai girando, o
homem evoluindo, as coisas passando
E eu, eu vou amando.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Chuva
Chovia.
Naquela tarde, era o que tinha.
A
chuva. Nada mais.
Ela
trazia o teu sorriso
E
dela fazia as minhas lágrimas.
O
ruído, aquele das gotas na janela, acalmava-me.
Aquele
"tan! tan! tan!" ininterrupto, agradava-me.
Deliciava-me
ao ouvi-lo a pensar em ti.
Substanciava
o que sentia. Amor.
Olhei.
Olhei cada milímetro da pluviosidade.
Gostava
de supor que cada um era uma paixão.
Que
ia batendo em várias janelas, aquelas que eram as donzelas.
E,
tal como aquelas gotas, um dia pára.
O
amor, o "tan! tan! tan!", os milímetros da paixão.
E
o sol irá raiar lá no alto.
E
mostrar o meu coração molhado pela chuva.
Loucura
Dizem que sou louco, esses bandalhos!
"Arghhh!" Como ousam dizer que vivo na loucura?
Sabem lá eles quanta lucidez vive em mim!
Sabem lá eles sequer o que é viver!
Não vivo na loucura, não senhor!
Vivo no meu pensamento, e esse é bem salutar.
Ao contrário de vocês, vulgares execráveis!
Que nem pensar sabem certamente!
"Arggghh!" Louco! "Hmmm!" Louco!
Ora vejam bem o que haviam de dizer de mim!
Mas não se cansem de me apontar defeitos.
É da maneira que ilumino as minhas qualidades.
Ouçam o ruído, ilustres vagabundos.
Ouvem? E que tal? Gostam?
É o barulho das vossas ideias a ecoar no encéfalo.
Sem mais nada, só vazio.
Mas continuem. Imputam-me a loucura
Que eu dela farei a sabedoria, a que vos falta.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Partida
Não quero amigos nem família,
Não quero choro nem lágrimas.
Não quero a tristeza do negro luto.
Não quero dó nem piedade.
Quero a chuva que sempre me perseguiu.
Quero a terra molhada e o coveiro, apenas.
Quero sentir-me sozinho, sem procissão nem o lúgubre folclore.
Quero o pó que se levantar quando for a enterrar.
Não quero rosas, nem vermelhas nem quentes.
Não quero a esperança além-morte.
Não quero saber de destino nem de gritos aflitos.
Não quero céu, nem inferno, nem dores, nem pesares.
Quero as ervas duras sobre o meu corpo adormecido.
Quero sentir o chocar dos ossos.
Quero a mudez que será a minha fala.
Não quero a balada dos sinos,
Não quero visitas ao meu leito
Nem tão pouco rezas ao meu espírito.
Quero os pássaros que, cruelmente, hão-de pousar na minha pedra.
Quero ser alimento da Natureza, do que é natural.
Quero passar pelos anos, ali, sem que notem a minha passagem.
Quero estar entregue à própria sorte, à morte.
Não quero choro nem lágrimas.
Não quero a tristeza do negro luto.
Não quero dó nem piedade.
Quero a chuva que sempre me perseguiu.
Quero a terra molhada e o coveiro, apenas.
Quero sentir-me sozinho, sem procissão nem o lúgubre folclore.
Quero o pó que se levantar quando for a enterrar.
Não quero rosas, nem vermelhas nem quentes.
Não quero a esperança além-morte.
Não quero saber de destino nem de gritos aflitos.
Não quero céu, nem inferno, nem dores, nem pesares.
Quero as ervas duras sobre o meu corpo adormecido.
Quero sentir o chocar dos ossos.
Quero a mudez que será a minha fala.
Não quero a balada dos sinos,
Não quero visitas ao meu leito
Nem tão pouco rezas ao meu espírito.
Quero os pássaros que, cruelmente, hão-de pousar na minha pedra.
Quero ser alimento da Natureza, do que é natural.
Quero passar pelos anos, ali, sem que notem a minha passagem.
Quero estar entregue à própria sorte, à morte.
Whisky-Amor
A garrafa ia a meio, mas o coração estava cheio,
Cheio de ilusões e amores inatingíveis.
Amores não. Amor. Porque em mim só há um.
E é por esse que bebo.
Cada gole é cada amargura de um sentimento sem fim,
Cada trago é uma corda que amarra o meu sonho.
Tenho em mim dois alimentos,
O amor e o whisky.
A loucura cai em mim tal como a frustração.
A frustração de não me encontrar contigo nesta paixão.
Já pensei em tudo. Já fui e já vim.
Não sei se terei suporte líquido para abater esta dor.
Deixai-me na embriaguez desta impossibilidade.
Junta-te ó veneno escocês a mim.
Vamos amar e vamos sonhar, sem sobriedade.
Vamos cair, agora,
Sem que nada nos iniba de beber, amando.
Cheio de ilusões e amores inatingíveis.
Amores não. Amor. Porque em mim só há um.
E é por esse que bebo.
Cada gole é cada amargura de um sentimento sem fim,
Cada trago é uma corda que amarra o meu sonho.
Tenho em mim dois alimentos,
O amor e o whisky.
A loucura cai em mim tal como a frustração.
A frustração de não me encontrar contigo nesta paixão.
Já pensei em tudo. Já fui e já vim.
Não sei se terei suporte líquido para abater esta dor.
Deixai-me na embriaguez desta impossibilidade.
Junta-te ó veneno escocês a mim.
Vamos amar e vamos sonhar, sem sobriedade.
Vamos cair, agora,
Sem que nada nos iniba de beber, amando.
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