segunda-feira, 31 de março de 2008

Ode da Liberdade


Párias são aqueles que não a curiam
Pugnas lancinantes e pungentes trespassadas para a fruir
Todos aqueles que a granjeiam são luzidos por ela
Aqueles que a impugnam são ensombrados pelo negrume
Assaz Liberdade para se tornar se lassa
Dotada do fragor que sucumbe os enclausuradores
Concomitante à vanguarda do Mundo
Perene no âmago de cada ser
No amanhã poderá ser uma reminiscência
Teremos que a designar como um dogma, hoje.

Mundo Livre


Sento-me na cadeira da vida a falar monologamente sobre as inquirições do ser.
Começo a pensar no que me induz a escrever esta mesma prosa: a liberdade.
A Liberdade é algo que todos alvitram desde o seu brotar; a liberdade de se poder erguer e caminhar, a liberdade de ir para a escola, a liberdade de se casar, a liberdade de viver para a morte.
Esta mesma liberdade que ainda, hodiernamente, pugna em não luzir para alguns.
Uma Liberdade que, se não for assazmente curiada torna-se lassa, uma liberdade que deveria ser um dogma.
Não sou douto o suficiente para saber com minúcia o porquê dos transeundos não se importarem com esta questão.
A Liberdade não pode ter o desígnio de uma mera monção, tem de ser granjeada para ser fruida nos seus termos certos.
Quem abusa ou não faz usufruto da Liberdade não passa de um pária, um Homem insensível à sobrevivência da existência.
A Liberdade não se pode desenvolver como uma reminiscência. É algo perene no âmago de casa ser.

domingo, 23 de março de 2008

Meu Mundo Âmago


Meu Mundo é parco,
Parco do ser e do infinito
É impiedoso para quem lá dentro está
É escarlate como o ocaso do sol,
É negro como a escuridão do silêncio
Faz de mim um ser inacabado
Faz de mim um ser pleno
Transparece, embrenha, impregna
Sabe jubilar
Sabe ser obscuro e penoso
Faz e torna o rumo diverso
É o meu Mundo
É o meu ínfimo.

A Saudade


Saudade,
Escrutina a nossa alma
Incessa-nos o espírito
Sentimento que acerba o ser
Sentimento que nos matura
Faz-nos lacrimejar
Faz-nos sentir
Impele-nos para a vida
Ultrapassa os limites do horizonte
É a derradeira conexão com o ínfimo,
A Saudade é o crepúsculo do coração.

sábado, 22 de março de 2008

Beleza Rara


Sento-me na penumbra do horizonte
Escrevo no incerto e em direcção ao nada
Açulando meu sentido eloquente
Embrenho-me na solidão das palavras
E na impregnação da escrita
Vislumbro algo belo
Começo a ficar imparado
Esta beleza emana um luzente olhar
Exala um odor aromático
Esta beleza é a minha alma deificadora
É esta beleza que me inspira
Beleza que é bela e imponete,
Beleza rara.

Verdade


Verdade,
Verdade que dói quando clamada
Verdade oculta quando não alvitrada
Verdade impiedosa no fundo do ser
Verdade que emudece a mentira
Verdade precisa para a nossa existência
Verdade que ruge na alma
Verdade que se assoma na vida,
Verdade mãe do infinito
Verdade protectora do Universo.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Partida para a penumbra


Cuida do meu ser
Não deixes que eu me incurie
Nesta instância frágil da minha existência
Esta existência é uma passagem para a morte
A cada tempo que passa sinto-te mais longe
Amor, para sempre estarás no meu coração
Vá eu para onde for
Este é o meu tempo de partir,
Adormeci.

Egrégio Amor


Amo-te
Não podemos vetar o nosso amor
Um amor por vezes acerbo
E outras vezes fulgurante
Um amor que sibila por onde passa
Um amor incessante e fauno
Amor que nos faz luzir e sentir
Ele é a nossa essência
Curiemos o nosso amor,
Não o deixemos ter um fim,
Ama-me.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Conhecimento âmago


Conheço-te bem,
Teus olhos frágeis, tua sensibilidade, teus ímpetos
Também me conheces bem
Meus feitios, meus traços, meus calos
Serei o conceptor dos seres que guarneceres
Sei o que és, sei os teus sonhos
Irrompe por mim teus sentimentos
Eu impelar-te-ei para mim
Deusa do meu coração
Faz-me ser.

Lágrima de amor


Não lacrimejes,
Sei que vou, mas chegarei a voltar
Não quero que deixes de ser essa menina venusta
Agora terei de partir
Vislumbro o teu semblante pranteando
Sabes que estás perene em mim,
Regozija-me com o teu sorriso
É o que te alvitro
Mas no meu coração, algo mais vai,
Saudade.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Viagem sem retorno


Viajo,
Pelos mares da saudade escabrosos,
Para trás deixo os meus
E comigo vão os mais temerários
Navego pelas ondas emudecidas
Entre os sons sepulcrais dos rochedos
Impreco por novas conquistas
E por novos terrenos
Este é o meu Fado,
Servir a ocidental praia lusitana.

Faz-me ser


Vem para mim,
Ofusca-me com o teu sorriso humilde
E com os teus tímidos olhos
Deixa-me tocar nessa tua pele opulenta de amor
Sei que te faço amargar
Mas sou um sonhador
Se fores não serei mais
Se ficares serei melhor
Só alvitro uma coisa,
Gosta de mim.

terça-feira, 18 de março de 2008

A Morte


Morte, que palavra impiedosa!
Atroz, mordaz, displicente, obscura,
Palavras para descrever uma palavra,
Mas verdadeiramente há alguém que saiba o que é a Morte?
Como é possível uma palavra destas aparecer nas minhas odes?
Normalmente num canto lírico não aparecem palavras destas,
Estarei-me a tornar numa pessoa psicologicamente afectada?
Como é possível? Eu devia estar a falar de amor, adolescência, puberdade…
Talvez porque seja um tema falado pelos alheios,
Um tema que intriga, um tema que ninguém gosta de conhecer profundamente,
Mas que toda a gente sabe que será o seu Fado,
Morte, o que será “isso”?
Vou tentar descobrir e quando a encontrar eu digo…

segunda-feira, 17 de março de 2008

A nossa envolvência


Vem, vamos deixar-nos envolver,
Vamos glorificar o amor e perpetua-lo,
Deixa que o teu corpo se envolva no meu,
Não temas, por vezes o amor é atroz.
Não serei demasiado voraz, nem demasiado leviano
Também receio, também ambiciono
Sei quais são os limites,
Mas, amor,
Vamos acontecer.

domingo, 16 de março de 2008

O Amor no início


Amor, vem, junta o teu corpo ao meu,
Deixa que a tua voz lânguida ecoe por mim,
Deixa que se veja o pranto caindo da tua face.
Não deixes que os transeuntes te olhem assim
Guarda para ti no mais recôndito lugar.
Não fragilizes, nem mostres veemência,
Porém com algo podes tu contar sempre,
Eu estou aqui.

Questões da Vida


- Sabes pai, ás vezes sinto falta da mãe. Sinto falta da sua mão meiga passar-me pelo rosto, sinto falta dos seus beijos delicados, sinto falta do seu júbilo, sinto falta...
- Calma, filho, calma!
- Pai! Abraça-me! Abraça-me por favor!
Após longos minutos de envolvência, Jõao volta a falar:
- Pai, porque é que a vida é tão dura? Dura com toda a gente?
- A vida é dura para que possamos encontrar a nossa felicidade.
- Mas então, porque é que a felicidade é tão difícil? Porque é que temos de passar por tantos calvários para a encontrar?
Fez-se um silêncio na sala. Lá fora ainda restava alguma geada matinal. As conversas entre pai e filho eram sempre emocionais.
- Porque é que há pobreza e fome no mundo? Eu queria tanto ajudar as pessoas, pai. Porqué é que há morte?
- Filho, a morte é algo obscuro, é o nosso Fado.
João saíra de casa e ao cambalear pela rua, encontra um vagabundo e opta por ir ter com ele:
- Desculpe, porque é que você é pobre e passa fome?
- Sabes, eu estou assim porque não soube mourejar a vida. Agora vai gaiato, não ligues a alguém que não pode fazer nada pela tua vida, eu só a vou estragar...
Uma lágrima de pesar caía agora sobre o rosto envelhecido do vagabundo.
CONTINUA.