terça-feira, 29 de maio de 2012

Chuva


Chovia. Naquela tarde, era o que tinha.
A chuva. Nada mais.
Ela trazia o teu sorriso
E dela fazia as minhas lágrimas.

O ruído, aquele das gotas na janela, acalmava-me.
Aquele "tan! tan! tan!" ininterrupto, agradava-me.
Deliciava-me ao ouvi-lo a pensar em ti.
Substanciava o que sentia. Amor.

Olhei. Olhei cada milímetro da pluviosidade.
Gostava de supor que cada um era uma paixão.
Que ia batendo em várias janelas, aquelas que eram as donzelas.

E, tal como aquelas gotas, um dia pára.
O amor, o "tan! tan! tan!", os milímetros da paixão.
E o sol irá raiar lá no alto.
E mostrar o meu coração molhado pela chuva.

Loucura


Dizem que sou louco, esses bandalhos!
"Arghhh!" Como ousam dizer que vivo na loucura?
Sabem lá eles quanta lucidez vive em mim!
Sabem lá eles sequer o que é viver!

Não vivo na loucura, não senhor! 
Vivo no meu pensamento, e esse é bem salutar.
Ao contrário de vocês, vulgares execráveis!
Que nem pensar sabem certamente!

"Arggghh!" Louco! "Hmmm!" Louco!
Ora vejam bem o que haviam de dizer de mim!
Mas não se cansem de me apontar defeitos.
É da maneira que ilumino as minhas qualidades.

Ouçam o ruído, ilustres vagabundos.
Ouvem? E que tal? Gostam?
É o barulho das vossas ideias a ecoar no encéfalo.
Sem mais nada, só vazio. 
Mas continuem. Imputam-me a loucura
Que eu dela farei a sabedoria, a que vos falta.