domingo, 27 de setembro de 2009

A Troca


Fiz este poema inspirado e encorajado por tantos outros de Bocage. Assim aviso que é um poema para maiores de 18 e pode ferir a susceptibilidade de algumas pessoas.

Puta que vagueias pela calçada
Onde vendes a dignidade
Em troca da merda que te faz viver,
E que te alardeias de rata ao léu.

Esse antro de esgoto por onde andas
Onde os ratos esventram a imundície para sobreviver
E onde se sente o asqueroso cheiro da humilhação
Emanado pelos teus sebentos aliados.

Não gostas do que fazes
Mas voltas ao pénis que te dá de comer
E voltas com esse sorriso ingénuo nos lábios
Prontos a serem devorados pelos cornudos que os observam.

E fodes em qualquer deleite
Vendo os olhos doentios do chulo
Contendo a indiferença pelo acto
E gemendo falsamente para fazer feliz.

E no fim, estendes a mão para a esmola crua e suja
Para guardares nos seios esborrachados e abocanhados
Pelos cabrões que mendigam por amor.

E eles saem erguidos
Pensando verdade do teu fingimento indiferente
Seguindo para a sua vida de merda
Tão miserável quanto tu,
Puta que esperas por mais uma insensível foda.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A Caça


A tua incessante busca carnal
Pela subsistência do género
Transcende a lógica racional
Que transforma tudo em efémero.

Esse instante em que te lanças de impiedoso
Ganhas pejo e és gigante
Nesse teu gesto elegante
Para abocanhares o fruto penoso.

Dás o grito
E esse bradar que de ti emerge
Dá-se pelo pomo maldito
Que te torna herege.

E a tua ganância escabrosa
Fez de ti um simples defunto
Quando tinhas a ambição vitoriosa,
Podias ter sido algo com assunto.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Nós Os Homens


Observa.
Fixa um ponto e observa.
Observa como toda a gente é indiferente,
Ninguém gosta de ninguém,
Observa como somos generosamente egoístas,

Observa como corre a criança,
Como ela anda com o vento, para quê?
Para depois se imiscuir neste nubloso mundo,
E perder todo aquele ser que festejava a vida.

Observa a folha que nasce para depois cair,
Observa no animal que caça para ser caçado,
Observa como nada disto é diferente de nós,
Observa o momento em declínio.

Observa como tudo tem um significado,
Um significado falsamente simbólico,
Que nos faz crer em algo,
Que não existe.

Observa como todos perseguimos uma meta,
Andando ingenuamente néscios, à procura,
Escondendo aquilo,
Que a consciência artificial nos manda.

Observa como o bando gosta de ser enganado,
Pensando que está feliz, mas não,
Anda fingindo usando a máscara,
A máscara que permite a sociedade
E a convivência dos seres.

Observa como essa maldita protecção,
Inibe a nossa autêntica essência,
E eles gostam, eles regozijam-se.

Agora pensa.
Pensa no leve cair da máscara,
Pensa que todos ficavam estranhos,
Pensa que ninguém se conheceria,


Escolhe,
O fingido pensamento que conheces,
O enigmático mundo oculto que desconheces.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Hino À Dor


Esta dor que me enche a alma
É a infinita dor que me resta
Da nossa pérfida união
Que almejou o sempre findar.

O assolar deste vil tormento
É o longo brotar do sangue
Correndo no coração rubi
Que não mais lateja como dantes.

O meu corpo está possuído pela besta
Para que se ausente esta dor
Que por tua infâmia se crava.

Resta-me agora a repugnância
Por ti e por todas desse género
Pois nunca mais volto a amar.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Imortal, o Amor


O esvair que se queda nele
Queda-se pela donzela amante
Sentindo seu pesar na pele
Que corrói o sangue derramante

A morte é a fatal testemunha
Daquele funesto afrontamento
Em que o amor nada mais punha
E sõ restava o sentimento

Via o mísero deambulante
A débil condição virginal
De sua sempiterna amante
Que quis com ela ser imortal

Pegando em divino punhal
Cravejou seu fustigado peito
Com a rude força infernal
Levando a cobiçada no leito.