quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Amor Secreto


Ouvindo o restolho
Parecendo que ouço, mas não ouço

Disfarço,

Parecendo desatinado no restolho
Sou um tino não mais que atento,

Disfarço,

Parecendo taciturno e vápido
Sou garboso, jubilado por tua volúpia,

Disfarço,

Parecendo tíbio em mim
Sou insidiado por tua beleza,

Disfarço,

Parecendo delével por tudo
Sou um lastro imóvel,

Disfarço,

Disfarço para que não notes em mim
Para que te possa observar tacitamente,
Para que ninguém saiba que te amo.

Conhecimento Incógnito


Será fogo, isto que eu penso?
Será água, isto que eu sinto?
Será um nada feito de tudo
Será alma no espírito que se vai
Será sangue esvaindo-se pela corrente
Será coisa que aparece e se esfumaça
Será pujança no vigor da vida
Não sei se é o que será
Sei que vai e vem
Como alguém que não quer quem
Sei, porém, quem é esse alguém
Alguém que me tangera e segue para o fojo
Alguém que eclode sem que se dê a ver
Continuo, no entanto, sem saber o que será
Mas sabendo quem é esse alguém.

Amor, Para ti


Para ti,
Para ti de sentimento sem finitude
Para ti imaculada deusa
Para ti que sem temor pugnas por meu lustre
Para ti, primorosa, que mudas meu vápido mundo
Para ti que desafias a Providência com teu despejo
Para ti, de volúpia infinita, és o meu cirro,
Meu cirro para a felicidade
Para ti, que me enlevas com tua beleza
Para ti, que és afeita a mim e não me deixas
Para ti, impérfida mulher, impregno-me em ti
Para ti que me gostas e inebrias meu mundo
Para ti, que, se fosse cego vislumbrar-te-ia sempre em meu coração.

Lugar Íntimo


Lugar singelo, que nos rompe a alma
Lugar onde tudo jubila quando está ensombrado
Lugar santo onde se cometem heresias
Lugar onde a monção é algo inoportuno
Lugar malicioso que nos traça para o mágico
Lugar desatinado que nos ajuíza
Lugar açuceno coma mácula à espreita
Lugar mártir onde nos tornamos ledos
Lugar que mana uma agonia sumptuosa
Lugar cirro que alardeia sua garbosidade
Lugar pardo repleto de luz
Lugar de ninguém que é tudo,
Lugar teu.

Súplica


A severa chegou em mim,
Tal como antes sei amar
Tal como antes devoto-te mais que a essência
Tal como antes és a minha Natureza
Teu pranto, a limpidez das humildes águas
Tua beleza deificadora, do celeste vem
Assedoso capilar de jubilosos campos
Mudei e não sei mais voltar
Queda-me a nostalgia
A nostalgia de já teres sido o meu lastro
Vénus minha, este é o meu remir
Tal como antes, AMO-TE.

O Fim do Eterno


Vens sem rumo com teu merlim
Com despudor de Quixote
Almejando meu anoitecer
Alardeando-te de meu devir
Meu devir pelo teu pungimento
Teu açuceno gesto
É agora meu canudo
Tua deleitosa figura
É agora ensombrada por um labéu
Um labéu que não se exorciza de meu coração
Tudo nosso é delével
Meu desígnio é rugir
O eterno acabou em nós.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Fim Eterno

Vens sem rumo com teu merlim
Com despudor de Quixote
Almejando meu anoitecer
Alardeando-te de meu devir
Meu devir pelo teu pungimento
Teu açuceno gesto
É agora meu canudo
Tua deleitosa figura
É agora ensombrada por um labéu
Um labéu que não se exorciza de meu coração
Tudo nosso é delével
Meu desígnio é rugir
O eterno acabou em nós.