quinta-feira, 16 de junho de 2011

Tudo

Vejo por aí além,
Além das coisas e das coisinhas
E aquilo que podia ser tudo é nada,
Um nada distante das coisas.

É isso que vejo e que para muitos
É invisível. O nada. As coisinhas.
O tudo, facilmente se vê e se distingue
Das outras coisas.

Não sou melhor que ninguém. Não.
Apenas procuro coisinhas nas coisas da vida.
Sim essa madrasta que nos dá os tudos
E nos esconde os nadas.

Sigo esta minha visão

Certo das incertezas das coisas
Vagueando nas coerencias causais.
Dos nadas. Dos tudos.
Da luz que se apaga.

sábado, 11 de junho de 2011

O Beijo


O choro daquela alma gritava.
A todos que o quisessem ouvir.
Pedia ajuda, um auxílio.
O auxílio da razão talvez.

Ouvi e fui ter com ela.
Mas nada valia a pena.
Só restava a presença.
O sentir que se estava ali.

Chorou sem dó, sem pensar na desgraça,
Eu acatava aquele sofrimento
Quis abraçá-la, mas nem a conhecia.
Nem a alma queria, nem ela pedia.

Mas pediu-me muito mais.
Um beijo, de felicidade.
E o choro acabou.
E aquilo que parecia infinito, o choro,
Deu lugar à finitude do momento, o beijo.

A Noite(Poema)


De amor, só tenho a noite
Só ela, me dá as estrelas
Que trazem as memórias,
As memórias de quem já amei.

Não sei se alguma vez será dia.
Não sei se amarei o Sol
Ou as nuvens, ou o céu azul.
Não sei.

Sei que sou teu e tu trazes a noite contigo.
Sei que, para já, não quero a luz.
Só quero a luz que me dás,
A das constelações.

Deixa-me ver-te da janela.
Deixa aprecias o que de ti resta.
A escuridão, o negro
Da nossa paixão.

A Noite


-Já amaste? -  perguntava ela.
- Não me faças perguntas difíceis- dizia ele.
- Difícil? Não. Tem a reposta mais fácil de todas.
- Até acredito que sim. Mas não agora.
- Mas sabes o que é amar?- perguntou ela.
- Sim, acho que sim.
- Então já amaste, certo?
Pedro nem sabia que dizer. A verdade é que ela tinha chegado onde ele não queria. Na realidade Pedro já amara, sim. Já amara e com todo o coração. Com todos os batimentos por segundo. Mas agora via esse amor reflectido nas estrelas. Só quando chegava a noite ele revia esse amor. Na verdade ela já partira quando Pedro ainda a amava.
-Sim, mas só à noite- respondeu ele.
- À noite? Como assim?
- Só à noite quando as estrelas aparecem eu posso amar. De dia apenas anseio pela noite.
- Mas porquê? Só amar à noite?- indagou ela.
- Porque só ela me traz a luz das constelações e espelha as memórias de quem amei.
- E achas que não voltarás a amar de dia?
Ao que Pedro respondeu:
- Não, só quando o dia tiver estrelas. Aí sim, amarei.