quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Infância


A infância que dizem alegre,
É decadente
Se nela podia encontrar o que desejo
Descubro apenas a leve dor de meu ser.

Dizem também que é passageira
Mas é ela que faz o que sou
E é por ela que serei sempre
O Homem que nunca é feliz.

É ela que me impede de amar
É ela que me coloca assim, sozinho
Pois era nela que devia amar e ser feliz
E, por cruel destino, não fui.

E assim, resigno-me à miséria,
Pois não existe luta em mim
E a que há é para combater a sobrevivência
Que se esgota e afasta, distanciando-me da vida.


Martim da Ega

Solidão


Não preciso de ninguém,
Preciso de quem me conheça
Mas, se eu não me conheço
Então não preciso de ninguém.

A minha solidão satisfaz-me
Ela é a minha companhia
É a única que me conhece
E me preenche o ser.

Quem ma quiser tirar
Terá de se esforçar,
Pois eu, sou dois
E esses nunca se encontram.

Agora vivo bipolar
Contradizendo quem sou
Nunca tendo um único pensamento
E raivoso de alguém que não sei quem.



Martim da Ega

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Desconhecida


Não te conheço, ó ser virginal
Não sei o teu nome,
Nunca saberei
Mas não quero saber.

Vou seguir ignorante,
Pois tenho medo de saber
E que tudo o que vejo
Se desvaneça ao sentir-te.

A distância alimenta esta paixão
O desconhecido estimula o desejo
O impossível acaba com tudo
E eu adormeço sobre esse sonho de nada.

Como tu, não existe,
E se existir que não se mostre
Pois gosto deste engano
E de sentir, por ti, este ardor.

Mostra-me a sedução
Com esse olhar inocente
Sorri com o mistério
E deixa que eu invente.

Sei que é coisa que vale nada
Para pacóvios que não amam
Mas, para quem ama sem razão,
És tu, que dás alento a este coração.

Na Ilusão De Uma Andorinha...Tu


Vê como voam as andorinhas
Sente o seu cheiro a liberdade
E observa o seu brilho,
De quem pode voar sem pensamento.

Querias o seu talento,
Saber voar, voando
Mas não pois a forma como as olhas,
Faz-te parecer como elas.

Em ti vejo tanta da sua inconsciência
E gosto
Reconforta-me saber que vives como elas
Mas tu, na ilusão e elas,
Na impossibilidade de ilusão.

Vai vivendo no teu ser
E, quando quiseres, absorve-me
Se o conseguires serás feliz
Se não, fica na ilusão que o pensamento magoa.

Tu, tão terna e frágil, não mereces esta minha dor
Querer eu que atinjas a verdade nessa iusão
E que partilhes comigo essa pureza
De não pensar e ser feliz.

Mas não te afeiçoes
Sê tu e sê livre
Pois tudo o que te posso dar é dor
De quem está preso e não pode viver.


Martim da Ega

Frustração


Não posso amar
Se não sei o que é o amor
Nem quero dele saber
Pois fica-me medo de me apaixonar.

Não quero amar
Quem me queira
Nem quem não me queira,
Amo apenas o que sei de certo,
Que é nada.

Não sei amar
Nunca a vida quis que soubesse
Pois sofrimento é o único sentido de meu amor
Que, por não ser eterno, não vale o meu coração.

Cai sobre mim a frustração
De quem é incapaz de amar,
Por pensar no amor
E perceber que, nele, só há dor.

Não Posso Amar


Fazes-me inconsciente,
O teu ser afasta a razão
Que vai rodeando o coração
Mas só por momentos.

Ah! Poder teu ser ser eterno
Para durar a minha inconsciência
Não uma réstia apenas
Mas todo um momento consciente.

Mas essa luz, como que se apaga
Para se assomar a escuridão.
Como é negro o meu pensamento
Que contrasta com o brilho da razão!

E tu, fechas os olhos,
De quem já nada pode fazer
Por este pobre pensador
Que se quer converter.

Ser a tua voz conversão
Do pensamento para a razão
Da razão para a paixão
E poder eu te amar
Sem que me sinta carregado
Com aquilo que me estorva.


Martim da Ega

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Tentativa de Ser Uma Pessoa Acabada


Fiz o que pude
O que não pude façam vocês
Não posso dar mais de mim
Tudo o dei já não existe
Como aquilo que me fez dar,
A vida.

Já não a tenho e a que me resta
Desaparece com estas palavras
Que neste instante
São tudo o que tenho para vos dar.

Fui incompleto e completei-me
Fui alguém sem ser o que é
Fui quem não quis ser, pois quem quis ser
Nunca descobri.

Agora vem e leva-me
Como uma brisa de vento
Que não faz voar mais nada
Leva-me e apaga-me para que,
Seja fugaz, a partida.


Martim da Ega

Canto De Uma Pessoa Acabada


Esta demência que me acossa
É o resultado da minha genialidade
Que desperta um ser oculto
E um mundo exótico existente de pormenores.

Pequenos pormenores
Que ordenam todo este Universo
Abalado por ideias magistrais
Que permitem os meus pensamentos.

A escuridão em que me encontro
Revela o estado de espírito
Desta alma insana
Tétrica de amor pelo instante.

E a inspiração que se alumia
Emana-se do mundo que se vê pela janela
Um mundo sombrio e sinistro
Que não se dista do meu estado senil.

Peço agora o valor
Não para mim que sou inútil,
Mas para o que vos deixo
Que reproduz o nosso Mundo
Que sofre para existir e não tem culpa
De quem o não quer viver.

Se o faço é
Porque não quero viver nesta pena
E deixo, quem quer viver, em paz
E não poluo com os meus pensamentos reais
Aqueles que querem viver na ignorância.

É essa pessoa,
Exausta de pensar e debelada pela resignação,
Farta das insuficiências
Que alcança o Apocalipse
Tardio em aparecer para esta alma já exterminada.

Agora agarro-me ao baraço
O único amigo que me traz o que quero
Já que, pelo destino,
Continuava meu corpo a ser matéria.

Amanhã irei escrever-vos
Para vos contar como é bela a vida etérea.
Enquanto isso não advém(não falta muito)
Fiquem com os meus escritos terrenos.


Martim Da Ega

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Tédio Inconsciente


Os olhares fixam o infinito
Cansativo e moroso
Que provoca o tédio a quem observa
Tornando finito aquele momento.

As caras pesadas e carrancudas
Suportadas pelos emolientes corpos
Transportam o vagar do pensamento
Que se quer evadir para outra dimensão.

E o longo eco que nos penetra
Sai malogrado pela derrota
De não conseguir surtir efeito
Naqueles que não estão dispostos a tal.

Ouve-se agora o batimento fatal
Da chuva que esbarra na janela
Transparente da hipócrita atenção
Que revela a ignorância da gente.

Até que se dá a libertação,
E os incógnitos escapam
Para o que julgam ser o caminho certo
Quando, inconscientes, querem fugir
Daquilo que, em nós, pesa e
Dá trabalho a encontrar.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Existência


Eu, saberei realmente quem sou?
Certamente que não,
Pois a verdade não está no que penso ser
Mas sim no desconhecimento de quem sou.

Essa perturbadora ignorância tortura-me
Não gostava de saber quem não sou( a surpresa ainda me mata)
Mas não quero ter a ideia de que sou ignóbil de mim.
Apenas gostava de saber se o que sou,
Ampara e oculta quem não sou.

Esta sina é avassaladora
Este meu nada que é tudo, não o encontro
E encontro o tudo que é nada,
Pois este jamais será aquilo que na verdade sou.

Sei, no entanto, que sou louco
Pois eu sou os meus pensamentos
E se esses devaneiam na loucura
Eu só posso ser louco.

Dizem que sou estranho
Mas como podem eles
Julgar de tão leviano juízo
Se nem eles próprios sabem o que são?

Posso, de facto, ser estranho
Por querer saber o irreal
Mas e se estranhos forem os outros,
E eu seja uma pessoa normal?

Agora, escrevo sobre o que não sei
Neste poema que não sabe porque existe
Dou forma a ideias inexistentes
Sobre aquilo que, na realidade, não é.

Chego ao meu temor,
Ninguém sabe o que é,
Ninguém sabe porque o é,
Nem nunca ninguém vai saber o que é ser algo,
Pois aquilo que nos limita é mais forte
Do que a vontade de saber quem somos.




Com as sinceras cerimónias,
Martim da Ega

sábado, 3 de outubro de 2009

O Meu Recanto


Para Ti:
Sentado na esplanada a beber um mole café que escaldava na boca. Esta era a minha figura naquele pôr-do-sol estridente. Tudo parado, tudo sem sentido, tudo tão tétrico. Era assim que gostava de estar e de me sentir. Mas tudo o que era tão lógico nesse dia parou. Tudo parou naquele louco instante de paixão. Devaneava-se uma visão edénica à minha frente caminhando em direcção ao crepúsculo. Prostrei-me de cegueira por aquela maravilha.
Aqueles olhos de esperança fugiam com os seus longos cabelos para um lugar onde só existia eu e ela.
Dirigi-me para esse lugar tentando sorte no que estava condenado ao triste Fado.
- Gostas do crepúsculo?- perguntou a minha voz trémula.
- Sim, é o infinito daquilo que nos rodeia.- disse aquela delicada boca ávida de afecto.
- Sabes, o brilho que emana o crepúsculo é o culminar de um momento perfeito- disse eu.
E ela, como quem enternece o instante beija-me. E naquele beijo estava tudo o que de mim podiam tirar.
Depois ergueu-se e seguiu com o meu coração no seu peito.
Nunca mais a vi. Agora sempre que vejo o pôr do sol penso em ti e em como tudo é imperfeito. Mas não me importo pois sei que estarás sempre aqui.

Breaking News

Agora podem aceder a este blog através de www.ocantodohomem.pt.vu.
O outro endereço continua disponível.

domingo, 27 de setembro de 2009

A Troca


Fiz este poema inspirado e encorajado por tantos outros de Bocage. Assim aviso que é um poema para maiores de 18 e pode ferir a susceptibilidade de algumas pessoas.

Puta que vagueias pela calçada
Onde vendes a dignidade
Em troca da merda que te faz viver,
E que te alardeias de rata ao léu.

Esse antro de esgoto por onde andas
Onde os ratos esventram a imundície para sobreviver
E onde se sente o asqueroso cheiro da humilhação
Emanado pelos teus sebentos aliados.

Não gostas do que fazes
Mas voltas ao pénis que te dá de comer
E voltas com esse sorriso ingénuo nos lábios
Prontos a serem devorados pelos cornudos que os observam.

E fodes em qualquer deleite
Vendo os olhos doentios do chulo
Contendo a indiferença pelo acto
E gemendo falsamente para fazer feliz.

E no fim, estendes a mão para a esmola crua e suja
Para guardares nos seios esborrachados e abocanhados
Pelos cabrões que mendigam por amor.

E eles saem erguidos
Pensando verdade do teu fingimento indiferente
Seguindo para a sua vida de merda
Tão miserável quanto tu,
Puta que esperas por mais uma insensível foda.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A Caça


A tua incessante busca carnal
Pela subsistência do género
Transcende a lógica racional
Que transforma tudo em efémero.

Esse instante em que te lanças de impiedoso
Ganhas pejo e és gigante
Nesse teu gesto elegante
Para abocanhares o fruto penoso.

Dás o grito
E esse bradar que de ti emerge
Dá-se pelo pomo maldito
Que te torna herege.

E a tua ganância escabrosa
Fez de ti um simples defunto
Quando tinhas a ambição vitoriosa,
Podias ter sido algo com assunto.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Nós Os Homens


Observa.
Fixa um ponto e observa.
Observa como toda a gente é indiferente,
Ninguém gosta de ninguém,
Observa como somos generosamente egoístas,

Observa como corre a criança,
Como ela anda com o vento, para quê?
Para depois se imiscuir neste nubloso mundo,
E perder todo aquele ser que festejava a vida.

Observa a folha que nasce para depois cair,
Observa no animal que caça para ser caçado,
Observa como nada disto é diferente de nós,
Observa o momento em declínio.

Observa como tudo tem um significado,
Um significado falsamente simbólico,
Que nos faz crer em algo,
Que não existe.

Observa como todos perseguimos uma meta,
Andando ingenuamente néscios, à procura,
Escondendo aquilo,
Que a consciência artificial nos manda.

Observa como o bando gosta de ser enganado,
Pensando que está feliz, mas não,
Anda fingindo usando a máscara,
A máscara que permite a sociedade
E a convivência dos seres.

Observa como essa maldita protecção,
Inibe a nossa autêntica essência,
E eles gostam, eles regozijam-se.

Agora pensa.
Pensa no leve cair da máscara,
Pensa que todos ficavam estranhos,
Pensa que ninguém se conheceria,


Escolhe,
O fingido pensamento que conheces,
O enigmático mundo oculto que desconheces.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Hino À Dor


Esta dor que me enche a alma
É a infinita dor que me resta
Da nossa pérfida união
Que almejou o sempre findar.

O assolar deste vil tormento
É o longo brotar do sangue
Correndo no coração rubi
Que não mais lateja como dantes.

O meu corpo está possuído pela besta
Para que se ausente esta dor
Que por tua infâmia se crava.

Resta-me agora a repugnância
Por ti e por todas desse género
Pois nunca mais volto a amar.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Imortal, o Amor


O esvair que se queda nele
Queda-se pela donzela amante
Sentindo seu pesar na pele
Que corrói o sangue derramante

A morte é a fatal testemunha
Daquele funesto afrontamento
Em que o amor nada mais punha
E sõ restava o sentimento

Via o mísero deambulante
A débil condição virginal
De sua sempiterna amante
Que quis com ela ser imortal

Pegando em divino punhal
Cravejou seu fustigado peito
Com a rude força infernal
Levando a cobiçada no leito.

terça-feira, 2 de junho de 2009

"Mes Que Un Club"

Mais uma vez divulgo aqui um vídeo que, directamente não alude ao tema do blog. No entanto deixo aqui como é possível motivar uma equipa. Este vídeo foi o que o treinador do Barcelona mostrou aos jogadores antes de entrarem para o relvado na final da Liga dos Campeões. Recordo as palavras de Guardiola no túnel de acesso:
«Somos o centro do campo. Somos a nossa precisão. Somos o nosso esforço. Somos os avançados que defendem, somos os defesas que atacam. Somos a nossa velocidade. Somos o respeito pelos nossos rivais, somos o reconhecimento dos nossos rivais. Somos cada golo que fazemos, somos aqueles que procuram sempre a baliza contrária. Somos um.»
De Mestre!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

O Vagar dos Dias


O rosto envelhecido fazia sentir o enorme e humilhante cheiro da derrota. Aquela tísica figura já não tinha mais para dar. Deu tudo enquanto viveu e estava ali, prostrado de miséria à espera de um "obrigado" que o fizesse descansar eternamente. As pessoas, indiferentes ao seu redor, seguem a sua mesquinha vida nunca pensando que o seu futuro está ali. A podridão daquele corpo frustra todas as ideias desta rude sociedade.
A boca, seca como o fervilhar do calor, já não mais diz as lengalengas que uma vida ajudou a trautear.
Os olhos, fechados e sem esperança, observam a decadência do Mundo à sua volta.
A pele, rugosa e sacrificada pelo labor, escama-se à luz da indiferença de quem passa.
As mãos, ossudas e disformes, tangem o chão derretido pelos passos da multidão.
Mas, com o brio de quem nunca desistiu, o velho abre os olhos e eu, fixado naquele milagre da natureza, afago-lhe a mão e, escorrendo uma lágrima de insignificância por mim, o velho diz-me uma palavra que deixa transparecer toda a filosofia daquele ser:
-Obrigado.
E o velho segue o seu caminho edénico rumo à última estação.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Estás Aqui Para Ser Feliz

Este post foge ao intuito do blog mas é inevitável.
Este vídeo é um anúncio da Coca-Cola onde podemos ver como duas vidas se tocam e é importante pensar como é simbólico este vídeo: O início e o fim.
Vejam:


Comovente.Mesmo.