
- Sabes pai, ás vezes sinto falta da mãe. Sinto falta da sua mão meiga passar-me pelo rosto, sinto falta dos seus beijos delicados, sinto falta do seu júbilo, sinto falta...
- Calma, filho, calma!
- Pai! Abraça-me! Abraça-me por favor!
Após longos minutos de envolvência, Jõao volta a falar:
- Pai, porque é que a vida é tão dura? Dura com toda a gente?
- A vida é dura para que possamos encontrar a nossa felicidade.
- Mas então, porque é que a felicidade é tão difícil? Porque é que temos de passar por tantos calvários para a encontrar?
Fez-se um silêncio na sala. Lá fora ainda restava alguma geada matinal. As conversas entre pai e filho eram sempre emocionais.
- Porque é que há pobreza e fome no mundo? Eu queria tanto ajudar as pessoas, pai. Porqué é que há morte?
- Filho, a morte é algo obscuro, é o nosso Fado.
João saíra de casa e ao cambalear pela rua, encontra um vagabundo e opta por ir ter com ele:
- Desculpe, porque é que você é pobre e passa fome?
- Sabes, eu estou assim porque não soube mourejar a vida. Agora vai gaiato, não ligues a alguém que não pode fazer nada pela tua vida, eu só a vou estragar...
Uma lágrima de pesar caía agora sobre o rosto envelhecido do vagabundo.
CONTINUA.
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