
"Estou na ruína. Já nada faz sentido em mim, já não tenho missão neste universo. Tudo o que amo afasta-se de mim. Já ninguém quer saber quem sou ou quem fui. Nada do que fiz no passado importa agora neste meu negrume presente. E o futuro, esse, não deverá existir. Não sei como agir para ultrapassar esta mágoa. No meu horizonte está apenas uma solução: o desaparecimento natural. Passo pelos transeuntes e todos me parecem transcendentes e vou sentindo, vou afundando-me na minha decadência. Meu coração está abandonado, ao relento, e à mão de quem se quiser apoderar dele. Minha alma está debelada e já nem a sinto. Será suplicar muito à Providência que dê azo a que eu seja alguém?"
Neste instante o homem prostra-se no encardo chão e fixa-se no céu esperando um sinal divino.
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