terça-feira, 4 de novembro de 2008

Fim do Começo


O meu Fado era amá-la e disso eu não fugia. Seu corpo entorneava-se à luz do crepúsculo que estava agora em diante de mim. Tentei escapar ao Amor, procurei nunca amar, mas, todos os dias aquela visão suprema da Natureza me fazia mudar de ideias. Haveria algo mais belo do que a Vénus de meu coração? Crei que não e se houver não é mulher, nem ser vivo.
- O crepúsculo está a falar para si, não lhe responde?- perguntou ela.
- Ele não irá certamente entender-me.- respondi eu.
- Porquê?- inquiriu ela.
- Porque ele nunca amou- voltei a responder.
- Quem é a sua inspiração?- perguntou ela
- A minha inspiração é aquela que vem ter comigo quando ninguém me estende a mão.
Ela ficou um pouco atordoada com a minha resposta e de seguida disse:
- O amor é assim, uma chama acesa na labareda do nosso coração.
- Amo-te- disse finalmente eu.
Ela olhou para mim e encostou sua boca à minha e ficamos eternamente sepultados no crepúsculo da vida.

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