quarta-feira, 2 de abril de 2008

Para Sempre


Estava ali. Estava ali para confirmar que a imortalidade é uma utopia. Perante mim estava o meu pai, na sua decadência mais profunda.
Estava deitado na cama, às portas do limiar da eternidade e eu já não podia fazer nada.
O seu coração já quase não latejava, sua boca estava sedenta de vida, seus olhos estavam cada vez mais enclausurados, mas ainda permanecia o seu espírito pugnador. Suas mãos ao tocarem-me provocam um intrínseco sentimento em mim.
Agora só me podia memoriar dos dias e luares que com ele passei.
As nossas longas e acesas conversas resultantes das nossas personalidades diferentes que convergiam nos pontos mais importantes.
Saberei viver sem a sua figura no meu destino?
Terei de rumar à vida e descobrir as suas inquirições pelo meu próprio pensamento.
Estava ali o meu exemplo de vida.
O meu exemplo de vida estava a desaparecer de mim.
Adormeceu.

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