quinta-feira, 10 de abril de 2008

Batalha Arrebatadora


Estávamos ali como quem está no purgatório. Já não importava a nossa família, quem amámos, quem prezamos ou quem de nós gosta.
O sangue esvaía-se do semblante dos meus companheiros e eu estava translúcido. Não suportava a dor em mim, por não esboçar nenhum movimento. Pranteava agora a pujança falecida de meus colegas.
O inimigo não tinha escrúpulos e matava a sangue frio quem com ele pelejava.
Senti que aquele era o meu ocaso e a última coisa que tinha dito à minha família foi: " Não preciso de vocês, nem de ninguém. Só preciso da guerra."
Nestes meses últimos tinha-me tornado um ser áspero e severo com quem me rodeava. A guerra mutou-me. Ao ouvir esta palavra bélica remeto-me inexoravelmenete para o sangue, o sofrimento, a dor de seres inocentes, que por tiranos rancorosos, passaram a seres inerentes à guerra. A guerra compelia as pessoas envolventes em si.
Só pensava na impressão deixada na minha pátria. Na sua profundidade, sabia que os meus mais próximos sentiam que eu estava transformado pela guerra. Mas mesmo assim, rugia-me no coração, eles não mereciam aquela minha incúria.
Um fragor tirou-me do meu raciocínio. Um soldado tinha sido alvejado na perna e empenhava agora os músculos e ossos daquele ser.
A guerra, meus ilustres, é o arrebatamento íntimo de tudo o que nela entra.

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