
Nunca tinha visto nada assim. Seus traços esbeltos, seus olhos azuis fazendo recordar o marulhar das ondas, sua pele sedenta de amor, estava perante a beleza mais graciosa da existência.
Era fim de tarde e o crepúsculo já mitigava o semblante dos transeuntes na rua.
Tive receio em me pôr diante dela, mas roguei-me de ânimo e disse-lhe:
- Como o ocaso é lindo...
- Sim, eu venho cá todos os dias para o observar- referiu ela.
- Infortunamente todos acabaremos assim, como o Sol, mas não nos levantaremos todos os amanhecer.
- Isso é verdade, mas não podemos ter tanto negrume nos nossos pensamentos ao ver esta beleza da vida.- disse ela, orgulhosa de fazer parte daquela vida.
Estava apaixonado e não sabia como agir. Pela primeira vez estava enamorado daquela maneira.
Após longos minutos de diálogo, abraçá-mo-nos e ficamos a dançar unidos no crepúsculo.
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