sábado, 22 de novembro de 2008

A Memória do Ser


Memórias,
Memórias incontornáveis nos contornos de meu ser,
Memórias de louvores perdidos, de rancores odiados,
Memórias que alimentam a nossa alma,
Memórias que fluem na nossa vida
Sem guarda nem protecção
Memórias perdidas mas perenes
Memórias de reminiscências viventes
Memórias de passados presentes
Memórias inesquecíveis para sempre
Memórias que o tempo espaça,
Memórias inoportunas nos momentos exactos
Na monção da vida o azo lhes pertence
Memórias,
Nosso fundamento com elas é feito.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Nasceu o Amor


Saía a Vénus do mar erguida e do arvoredo testemunha,
Na sua inaudita valva,
Superior e magnânime com suas esbeltas formas,
Com cerúleas e escarlates saraças para a apadrinhar
E ornatos decaídos do nebuloso,
Estava ali, o tão desejado fruto,
Ensombrando seus zéfiros e servos,
Que a ela adoravam e a serviam eternamente
Sem qualquer temor ou incerteza,
Sabendo que defronte de suas almas estava,
Aquela que nasçeu deificada
Sob os poderes do Possante,
Na mais puros e imaculados moldes,
A fonte do Amor.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Fim do Começo


O meu Fado era amá-la e disso eu não fugia. Seu corpo entorneava-se à luz do crepúsculo que estava agora em diante de mim. Tentei escapar ao Amor, procurei nunca amar, mas, todos os dias aquela visão suprema da Natureza me fazia mudar de ideias. Haveria algo mais belo do que a Vénus de meu coração? Crei que não e se houver não é mulher, nem ser vivo.
- O crepúsculo está a falar para si, não lhe responde?- perguntou ela.
- Ele não irá certamente entender-me.- respondi eu.
- Porquê?- inquiriu ela.
- Porque ele nunca amou- voltei a responder.
- Quem é a sua inspiração?- perguntou ela
- A minha inspiração é aquela que vem ter comigo quando ninguém me estende a mão.
Ela ficou um pouco atordoada com a minha resposta e de seguida disse:
- O amor é assim, uma chama acesa na labareda do nosso coração.
- Amo-te- disse finalmente eu.
Ela olhou para mim e encostou sua boca à minha e ficamos eternamente sepultados no crepúsculo da vida.

domingo, 2 de novembro de 2008

Corredor da Morte


O rosto de Spencer reflectia a sua dor desmedida por ter de terminar ali todo um sonho que era apenas viver. Tudo o que Spencer gostava tinha de abdicar, tudo o que queria fazer na vida era agora um desejo inútil, pois a sua única ambição era agora sobreviver nem que fosse para viver na miséria. Juntamente com ele estavam cerca de dezoito condenados e muito provvelmente uma maioria estava inocente tal como Spencer.
O motivo de Spencer ser agora um "membro" do corredor da morte era simples: sabia algo sobre alguém muito influente e tencionava verbalizar todo os segredos desse homem poderoso nos media. Spencer pensava que no séc XXI já não existisse a opressão e a proibição da liberdade de expressão. Momentaneamente Spencer revivia toda a sua vida em bocados reminiscentes na sua cabeça. Pensava que estava ali por estar no momento errado à hora errada. Mas, alguém se dirigia para ele. Era uma figura humana, com traços bem delineados e que estava toldada num ar misterioso. A figura dirigia-se mesmo para ele e de um segundo para outro perguntou-lhe:
- David Spencer?
- Sim, sou eu- respondeu Spencer um pouco atarantado.
- Estou aqui para o ajudar. A partir de agora tudo o que sabe diga-me, tudo o que sente diga-me, tudo o que faça. diga-me.
Quem seria este homem que, chega ali e lhe pede para contar tudo o que ele faz, sente e sabe?

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Terra Prodigiosa


Oh milagre da natureza,
Oh milagre da vida!
Por entre os longos e esbeltos vales te ocultas
Onde o néctar se une ao idílico numa diva junção,
Onde as anis lágrimas correm pelos proeminentes olhos,
Manchados pelo labutar severo de teus servos
Que tudo fazem para que quem te enxergue te sinta,
A ti, que lhes alimentas a posteridade,
A ti, que albergas a talha do seixo por entre a calçada
A ti, que espelhas a eternidade e amparas o fim,
Tu, que te ergues dia a dia no alto de tua sumptuosidade,
Meu amo e patrono, isto é quanto eu te venero,
É toda a minha alma em ti,
Santo da vida.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

A Lógica da Decadência


"Estou na ruína. Já nada faz sentido em mim, já não tenho missão neste universo. Tudo o que amo afasta-se de mim. Já ninguém quer saber quem sou ou quem fui. Nada do que fiz no passado importa agora neste meu negrume presente. E o futuro, esse, não deverá existir. Não sei como agir para ultrapassar esta mágoa. No meu horizonte está apenas uma solução: o desaparecimento natural. Passo pelos transeuntes e todos me parecem transcendentes e vou sentindo, vou afundando-me na minha decadência. Meu coração está abandonado, ao relento, e à mão de quem se quiser apoderar dele. Minha alma está debelada e já nem a sinto. Será suplicar muito à Providência que dê azo a que eu seja alguém?"
Neste instante o homem prostra-se no encardo chão e fixa-se no céu esperando um sinal divino.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Peleja pela certeza


Sinto-te próxima, mas não alcanço
Vejo o deleite de teu corpo, mas estou tolhido
Quer almeje chegar a ti, não consigo,
Quer me detenha, algo me arrasta,
Minha alacridade não sabe se há-de revelar-se
Minha cipreste não sabe se há-de fazer-se pungir
Nada em mim é certo, nada em mim sabe o que compor
Gostava de ser vero com meu pensamento, mas,
Minha querença, tu sabes,
Sabes de que sofre meu ser,
Sabes o porquê de meu coração latejar desigual
Mas não o dizes e resguardas-te em ti,
Para que me faças pugnar por minha cura,
Tu.