quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Estranheza


Este sítio é-me estranho
O olhar das pessoas aterroriza-me
Tenho medo da sua igualdade indiferente
Medo da sua apatia que corrói

Sou diferente neste torpor citadino
Os meus gritos de mudança são inócuos
Caem em gente telecomandada de olhos esbugalhados
Que seguem o destino dos que já foram iguais a elas

A revolução durou pouco
Aqueles que em mim eram lapas, fugiram
Foi um desejo sem almejo
A miséria tornou-se um vício,
A liberdade uma saudade.

Os avisos chegaram, os alertas assomaram
Mas tal era a rectidão que tudo foi escasso
Para combater tal exploração
Digna de enorme abominação.

O sangue pela liberdade derramado
Afunila-se para o esgoto
Juntando-se aos ratos famintos de podridão
Emanada pelas pessoas que caminham.

Eles falam, elas ouvem e gravam
Eles comandam, elas obedecem roboticamente
Eu clamo algo de novo elas passam ao meu lado
Rumando com alegria e satisfação amorfa

Fingem que não vêem e vêem,
Mas a cegueira é tanta
E o analfabetismo tal
Que lhes tapa a sua dignidade
Há muito esquecida por quem não se lembra de a ter.

Todas são espectadoras da fatal passagem
Assistem tranquilamente com escasso livre-arbítrio
Como quem não vive
A não ser a vida daqueles que nelas mandam

Eu não me converto à indiferença
Vou seguindo a pelejar pela diversidade
Escassa nesta imundície
Onde quem quer e tem intenção,
Consegue ser.

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