quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Antes



Antes a vida era bela e tu também
As coisas eram tão simples como o Mundo
E eu, ingénuo como a criança no colo,
Era ser onde nada era nada.

Gostava de ti e da tua presença
Por ti, escalei o Amor
Ultrapassei-o e cheguei ao topo
Aí pus uma bandeira com o teu nome.
E orgulhei-me de nós.

Mas tu, que sempre alimentaste o meu sonho,
Empurraste-me e caí
Bati no fundo e por lá fiquei
E nem te apercebeste do que fizeste.


Fiquei estendido a sangrar por ti
Tu tapaste-me a ferida,
Mas fui que a tive de sarar
Para me erguer e continuar a viver.


Agora, já resgatado, arrependes-te,
E morres de pena por me teres empurrado.
Se ainda gosto de ti?
Sim, como alguém que dá oxigénio
Para eu escalar, por outra, a montanha.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Infância


A infância que dizem alegre,
É decadente
Se nela podia encontrar o que desejo
Descubro apenas a leve dor de meu ser.

Dizem também que é passageira
Mas é ela que faz o que sou
E é por ela que serei sempre
O Homem que nunca é feliz.

É ela que me impede de amar
É ela que me coloca assim, sozinho
Pois era nela que devia amar e ser feliz
E, por cruel destino, não fui.

E assim, resigno-me à miséria,
Pois não existe luta em mim
E a que há é para combater a sobrevivência
Que se esgota e afasta, distanciando-me da vida.


Martim da Ega

Solidão


Não preciso de ninguém,
Preciso de quem me conheça
Mas, se eu não me conheço
Então não preciso de ninguém.

A minha solidão satisfaz-me
Ela é a minha companhia
É a única que me conhece
E me preenche o ser.

Quem ma quiser tirar
Terá de se esforçar,
Pois eu, sou dois
E esses nunca se encontram.

Agora vivo bipolar
Contradizendo quem sou
Nunca tendo um único pensamento
E raivoso de alguém que não sei quem.



Martim da Ega

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Desconhecida


Não te conheço, ó ser virginal
Não sei o teu nome,
Nunca saberei
Mas não quero saber.

Vou seguir ignorante,
Pois tenho medo de saber
E que tudo o que vejo
Se desvaneça ao sentir-te.

A distância alimenta esta paixão
O desconhecido estimula o desejo
O impossível acaba com tudo
E eu adormeço sobre esse sonho de nada.

Como tu, não existe,
E se existir que não se mostre
Pois gosto deste engano
E de sentir, por ti, este ardor.

Mostra-me a sedução
Com esse olhar inocente
Sorri com o mistério
E deixa que eu invente.

Sei que é coisa que vale nada
Para pacóvios que não amam
Mas, para quem ama sem razão,
És tu, que dás alento a este coração.

Na Ilusão De Uma Andorinha...Tu


Vê como voam as andorinhas
Sente o seu cheiro a liberdade
E observa o seu brilho,
De quem pode voar sem pensamento.

Querias o seu talento,
Saber voar, voando
Mas não pois a forma como as olhas,
Faz-te parecer como elas.

Em ti vejo tanta da sua inconsciência
E gosto
Reconforta-me saber que vives como elas
Mas tu, na ilusão e elas,
Na impossibilidade de ilusão.

Vai vivendo no teu ser
E, quando quiseres, absorve-me
Se o conseguires serás feliz
Se não, fica na ilusão que o pensamento magoa.

Tu, tão terna e frágil, não mereces esta minha dor
Querer eu que atinjas a verdade nessa iusão
E que partilhes comigo essa pureza
De não pensar e ser feliz.

Mas não te afeiçoes
Sê tu e sê livre
Pois tudo o que te posso dar é dor
De quem está preso e não pode viver.


Martim da Ega

Frustração


Não posso amar
Se não sei o que é o amor
Nem quero dele saber
Pois fica-me medo de me apaixonar.

Não quero amar
Quem me queira
Nem quem não me queira,
Amo apenas o que sei de certo,
Que é nada.

Não sei amar
Nunca a vida quis que soubesse
Pois sofrimento é o único sentido de meu amor
Que, por não ser eterno, não vale o meu coração.

Cai sobre mim a frustração
De quem é incapaz de amar,
Por pensar no amor
E perceber que, nele, só há dor.

Não Posso Amar


Fazes-me inconsciente,
O teu ser afasta a razão
Que vai rodeando o coração
Mas só por momentos.

Ah! Poder teu ser ser eterno
Para durar a minha inconsciência
Não uma réstia apenas
Mas todo um momento consciente.

Mas essa luz, como que se apaga
Para se assomar a escuridão.
Como é negro o meu pensamento
Que contrasta com o brilho da razão!

E tu, fechas os olhos,
De quem já nada pode fazer
Por este pobre pensador
Que se quer converter.

Ser a tua voz conversão
Do pensamento para a razão
Da razão para a paixão
E poder eu te amar
Sem que me sinta carregado
Com aquilo que me estorva.


Martim da Ega