quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A Caça


A tua incessante busca carnal
Pela subsistência do género
Transcende a lógica racional
Que transforma tudo em efémero.

Esse instante em que te lanças de impiedoso
Ganhas pejo e és gigante
Nesse teu gesto elegante
Para abocanhares o fruto penoso.

Dás o grito
E esse bradar que de ti emerge
Dá-se pelo pomo maldito
Que te torna herege.

E a tua ganância escabrosa
Fez de ti um simples defunto
Quando tinhas a ambição vitoriosa,
Podias ter sido algo com assunto.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Nós Os Homens


Observa.
Fixa um ponto e observa.
Observa como toda a gente é indiferente,
Ninguém gosta de ninguém,
Observa como somos generosamente egoístas,

Observa como corre a criança,
Como ela anda com o vento, para quê?
Para depois se imiscuir neste nubloso mundo,
E perder todo aquele ser que festejava a vida.

Observa a folha que nasce para depois cair,
Observa no animal que caça para ser caçado,
Observa como nada disto é diferente de nós,
Observa o momento em declínio.

Observa como tudo tem um significado,
Um significado falsamente simbólico,
Que nos faz crer em algo,
Que não existe.

Observa como todos perseguimos uma meta,
Andando ingenuamente néscios, à procura,
Escondendo aquilo,
Que a consciência artificial nos manda.

Observa como o bando gosta de ser enganado,
Pensando que está feliz, mas não,
Anda fingindo usando a máscara,
A máscara que permite a sociedade
E a convivência dos seres.

Observa como essa maldita protecção,
Inibe a nossa autêntica essência,
E eles gostam, eles regozijam-se.

Agora pensa.
Pensa no leve cair da máscara,
Pensa que todos ficavam estranhos,
Pensa que ninguém se conheceria,


Escolhe,
O fingido pensamento que conheces,
O enigmático mundo oculto que desconheces.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Hino À Dor


Esta dor que me enche a alma
É a infinita dor que me resta
Da nossa pérfida união
Que almejou o sempre findar.

O assolar deste vil tormento
É o longo brotar do sangue
Correndo no coração rubi
Que não mais lateja como dantes.

O meu corpo está possuído pela besta
Para que se ausente esta dor
Que por tua infâmia se crava.

Resta-me agora a repugnância
Por ti e por todas desse género
Pois nunca mais volto a amar.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Imortal, o Amor


O esvair que se queda nele
Queda-se pela donzela amante
Sentindo seu pesar na pele
Que corrói o sangue derramante

A morte é a fatal testemunha
Daquele funesto afrontamento
Em que o amor nada mais punha
E sõ restava o sentimento

Via o mísero deambulante
A débil condição virginal
De sua sempiterna amante
Que quis com ela ser imortal

Pegando em divino punhal
Cravejou seu fustigado peito
Com a rude força infernal
Levando a cobiçada no leito.

terça-feira, 2 de junho de 2009

"Mes Que Un Club"

Mais uma vez divulgo aqui um vídeo que, directamente não alude ao tema do blog. No entanto deixo aqui como é possível motivar uma equipa. Este vídeo foi o que o treinador do Barcelona mostrou aos jogadores antes de entrarem para o relvado na final da Liga dos Campeões. Recordo as palavras de Guardiola no túnel de acesso:
«Somos o centro do campo. Somos a nossa precisão. Somos o nosso esforço. Somos os avançados que defendem, somos os defesas que atacam. Somos a nossa velocidade. Somos o respeito pelos nossos rivais, somos o reconhecimento dos nossos rivais. Somos cada golo que fazemos, somos aqueles que procuram sempre a baliza contrária. Somos um.»
De Mestre!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

O Vagar dos Dias


O rosto envelhecido fazia sentir o enorme e humilhante cheiro da derrota. Aquela tísica figura já não tinha mais para dar. Deu tudo enquanto viveu e estava ali, prostrado de miséria à espera de um "obrigado" que o fizesse descansar eternamente. As pessoas, indiferentes ao seu redor, seguem a sua mesquinha vida nunca pensando que o seu futuro está ali. A podridão daquele corpo frustra todas as ideias desta rude sociedade.
A boca, seca como o fervilhar do calor, já não mais diz as lengalengas que uma vida ajudou a trautear.
Os olhos, fechados e sem esperança, observam a decadência do Mundo à sua volta.
A pele, rugosa e sacrificada pelo labor, escama-se à luz da indiferença de quem passa.
As mãos, ossudas e disformes, tangem o chão derretido pelos passos da multidão.
Mas, com o brio de quem nunca desistiu, o velho abre os olhos e eu, fixado naquele milagre da natureza, afago-lhe a mão e, escorrendo uma lágrima de insignificância por mim, o velho diz-me uma palavra que deixa transparecer toda a filosofia daquele ser:
-Obrigado.
E o velho segue o seu caminho edénico rumo à última estação.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Estás Aqui Para Ser Feliz

Este post foge ao intuito do blog mas é inevitável.
Este vídeo é um anúncio da Coca-Cola onde podemos ver como duas vidas se tocam e é importante pensar como é simbólico este vídeo: O início e o fim.
Vejam:


Comovente.Mesmo.