
A porta tombou e iluminou-se
O homem caiu sem saber
A noite era dia
E as casas sapatilhas.
Os olhos escorregavam pela cara
Os lábios já lá não estavam.
As paredes abriam-se de par em par
A voz era gigante e não se ouvia.
Ondulavam os pensamentos
Sonhando a realidade
E afastados da cabeça
Pousada no topo de um prédio.
Os dedos tocam o ar
Sólido com a respiração
Que emana ofegantes luzes
Nuas de sentimento, vestidas de sensação.
O tempo é nulo,
As horas são tijolos,
Os segundos mármore.
Ao meu lado, um círculo grande e redondo.
É persuasivo. É assustador.
Tentador também. Roço-lhe na pele.
Livrei-me dele. Estou são e salvo.
Vai subindo o real pela escada da mente
Desço, passo a passo, medo a medo
Evitando a queda fatal
Que me levaria ao apocalipse.
Sem sentimentos, nem corpo.
Só nada. Aterrei.
Um dia volto.
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