segunda-feira, 26 de abril de 2010

Saudade


Tinha chegado a casa. Rodara as chaves. Abrira lentamente a porta e fora para o quarto. À frente, a cama desejosa do seu corpo. O dia ia longo e fora difícil.Queria não pensar no que tinha acontecido, mas a almofada não permitia. Era mais forte o coração do que o raciocínio. O primeiro mandava sentir, o segundo mandava não pensar na situação. A noite seguia, o dia fugia e tudo estava igual. Ela tinha-o deixado ao fim de duas semanas de observação. Todos os dias a via, todos os dias se aquecia com o olhar. Foi-se embora sem saber que ele a observava. Talvez viesse a gostar dele. Talvez não. Nunca poderá saber as respostas que a almofada não dava às perguntas que fazia. Sabia o seu nome. Íris. Nada mais. Iria ficar com estas letras para sempre. Sabia (ou pelo menos pensava que sabia) que não iria encontrar igual a ela. Ia agora derretendo estes pensamentos pela cama, desejoso que ela voltasse. Mas não. Nunca mais iria voltar. Havia agora um longo percurso a andar. Havia agora um olhar para a noite lembrando-se dela. Havia saudade.

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