segunda-feira, 8 de novembro de 2010
SBS
Mais uma vez ali estávamos os dois a falar de outra pessoa. "Dá-lhe uma oportunidade. Tenta. Pode ser que dê." Dizias tu. Eu só pensava: "Será que se esqueceu de tudo o que lhe disse? Como pode ela dizer uma coisa destas, sabendo que à minha frente estava quem eu queria?" Não sei. Nunca saberei porventura. Só queria saber se haveria espaço para o meu amor não correspondido em ti. Já me reconfortava que ao menos sentisses o meu amor. Não terias de retribuir. Só deixar-me amar-te, em silêncio.
sábado, 6 de novembro de 2010
O Sono
Penso um sono descontente
Que me dá o que o despertar não dá:
Um não pensar em nada, o sentir de forma irreal,
O gostar das coisas, mas às escuras.
Já tentei o despertar
Mas o corpo que tanto suporta
Nunca irá na sua infinitude,
Aguentar o fardo de alguém se erguer.
Poderia descobrir coisas novas
Talvez até ser outro que não eu
Iria alegrar o despertar e não sei quem mais
Pois o egoísmo de acordar é duro de carregar.
Prefiro o mau estar do sono
Liberta-me, movimenta-me, cansa-me
Mas será sempre o cansaço do sono pesado
Que me irá procurar as respostas
Para aquilo a que o despertar não acede.
Piso -4
- E gostas dela?- perguntaste-me.
Eu, que estava distraído a pensar, desviei o meu olhar para ti. Bastou. Tu sabias ainda melhor do que eu a resposta à pergunta que me acabaras de fazer. Os olhares que trocamos de seguida nem precisavam que alguém falasse mais daquele assunto.
Assim, continuamos a fazer o que tínhamos para fazer. Eu, a pensar em ti. Tu a tentar descobrir se eu pensava em ti.
Eu, que estava distraído a pensar, desviei o meu olhar para ti. Bastou. Tu sabias ainda melhor do que eu a resposta à pergunta que me acabaras de fazer. Os olhares que trocamos de seguida nem precisavam que alguém falasse mais daquele assunto.
Assim, continuamos a fazer o que tínhamos para fazer. Eu, a pensar em ti. Tu a tentar descobrir se eu pensava em ti.
domingo, 17 de outubro de 2010
Viver
Pensava ter vivido tudo.
Ter dado todos os beijos,
Ter sentido todos os abraços,
Ter dado a toda a gente, tudo de mim.
Pensava ter feito as pazes com o amor,
Ter conquistado todas as amizades.
Pensava ter aquele lugar que todos desejam,
Ter feito desta vida, a minha vida.
Mas como estava enganado.
Como tudo se esvanecia num simples olhar.
Um olhar que me dizia: “Ainda tens tanto para dar.”
Por momentos desviei-lhe a cara.
Estava apenas a escapar-me.
Sabia toda a razão que aquele olhar concentrava.
Nunca ninguém deve achar que da vida já tirou tudo.
Nunca se deve ter a certeza de quem somos.
Nunca devemos achar que algo será a última coisa.
Nunca podemos sentir que já vimos o sol brilhando num luar.
Sigam sempre o olhar de alguém.
Só ele sabe quando já fizemos tudo. Ou quando ainda precisamos de fazer.
Não tenham medo de arriscar. Nem se sintam riscados da vida.
Beijem, abracem, amem como se fosse a primeira vez.
Quando for a última, saberão que o sol sempre brilha ao luar.
sábado, 9 de outubro de 2010
O Mar E Tu
“Penso em ti sempre que o mar se agita.”
Escrevi.
Era piroso. Disseste.
Era tudo o que tinha para ti.
E tu, tudo o que tinhas para dizer.
Pensei noutras frases.
Mas só aquela conseguia escrever.
Sabia que não gostavas, mas insisti.
Era aquela a perfeita para nós.
Acabaste por aceitá-la.
No fundo, sempre gostaste dela.
Sabias que era a nossa marca.
Um dia em que estavas triste saímos.
Olhámos para o mar. Estava agitado.
Conseguiste sorrir para mim.
Sabias que estava a pensar em ti.
sábado, 2 de outubro de 2010
Tu
Será porventura o sorriso
Aquele que transportas do coração ao rosto,
Aquela maravilha superior
Com que acendes as almas apagadas.
Será o olhar
Que lacrimeja ternura e alegria
Que assalta a minha paixão
Que deixa ver o quão bela és.
Será o gesto.
Suave, macio, quente.
Acolhedor para quem é estranho,
Pleno de emoções por tua pele.
No fim, és tudo.
Tu és uma. Um sorriso. Um gesto. Um olhar.
Junção da trindade da beleza
Que por este pobre é retratada.
Talvez Um Dia
Queria tocar-te e sentir-te.
Passar a minha áspera mão
Pelos sensíveis teus cabelos.
Queria.
Talvez um dia. Numa noite ao luar.
Para que haja testemunhas.
Alguém que assista ao meu querer.
Alguém que chore por mim.
Talvez este desejo seja precoce.
É cedo para te amar.
Mas é tarde para me apaixonar.
Sei que é curto este canto,
Mas são os suspiros que te deixo.
Sou eu. E o meu desejo. Em palavras.
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