terça-feira, 25 de janeiro de 2011
V
Um dia disseste-me: “Quero ser feliz a teu lado. Não como amor ou como paixão, apenas estar a teu lado”. Não cumpriste a promessa. Uma promessa selada em tão idílicos moldes que fazia inveja aos deuses do consílio. Invocaste o fim, de um momento para o outro. Nem avisaste. Até podia dizer que tinha planos, que tinha objectivos para nós. Mas nem tinha. Tinha apenas a espontaneidade. Talvez tenha sido com esta espontaneidade que fizeste um acordo. Um acordo que não deixaria em ninguém motivos para ser espontâneo. E não deixou, de facto. Nos dias a seguir, choveu. Cada gota de chuva era como uma lágrima que deixavas cair. Como um sinal. Um sinal que me dizia: “Avança”. Tenho pensado em ti todos os dias. Mesmo quando até nem quero, penso. És inevitável. Gostava de te lembrar de outra forma. Aquela forma mais alegre, mais revigorante e até sorridente. Sei que querias assim. Mas se de facto é esse o teu desejo, não terias deixado de tão rude forma o que te fazia viver. Já coloquei a questão: “Será que aquilo que te fazia viver, era suficientemente forte?”. A resposta estará noutro lugar. Talvez seja Júpiter, presidente do consílio, o dono da resposta. Sinto e sei que nem vale a pena fazer perguntas muito menos responder às mesmas questões. Elas só trazem dúvidas e dúvidas que são um beco sem saída. Significas liberdade. Fizeste jus ao teu nome. Pois se contigo foi a cobardia, exprimiste também o expoente da liberdade humana: tomar a decisão de já não ter liberdade.
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