domingo, 21 de julho de 2013

Adrenalina

O horizonte basta para ti
Que te pões na linha do risco
Para libertar essa sensação
De adrenalina.

A adrenalina de correr
Para iludir o tempo
E para te evadires de ti
Se mais lamento.

Há mil caminhos para percorrer
Infinitos sorrisos para sorrir
Multidões de obstáculos para venceres,
Uma imensidão de trilhos para aventurar,
Um universo sem fim para te perderes.

Sem nunca desistires
Embriagas-te com coragem
Injectas-te de aventura
E, sem temores,
Rossas os limites da proeza.
Pois, para ti,
O horizonte basta.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A Vida

A vida, meus caros, não tem senão vidas.
Aquelas que vivemos, na vida.
Um ir e vir de emoções,
Num desaguar de verdades absolutas.

A vida é a vidinha.
Aquela que vivemos sem dar por isso.
Um brotar de pessoas com quem não falamos,
Num evitar de coisas que não queremos.

Vivemo-la com o rebuliço do pensamento,
Sem pensar muito na sorte.
É gostar sem saber e sem saber que gostamos.
É dessa índole que somos feitos.

Da vida, somos o que fazemos.
E do que queremos fazer, que ninguém nos impeça.
Somos mais que ninguém e ninguém é menos que nós.
Agora, vivamos, porque a vida não quer saber de nós,
Também ela avança e caminha. Na calma do tempo.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Para O Knut

Vivo na miséria.
Na miséria física, não mental.
Mas quero esta miséria.
Não almejo mais nada senão a miséria.

Só quero pensar.
Pensar e escrever. Compulsivamente.
A minha sobrevivência é o meu pensamento.
Mas vou enfraquecendo, dizem.

Invento. Desde nomes a imagens.
Invento palavras até, mas com sentido.
Sentido para esta lástima em que me encontro.
Vou alucinando contos e escritos. Perdi o meu nome.

Já não tenho crenças. Nunca tive, de resto.
Esta vida que nos querem dar, não vale nada. Nada.
Não sou Dostoievski. Serei Kafka, um dia.
A minha condição não gosta de nada que me oferecem.

Quero escrever! Deixem-me escrever!
Não quero comer! Não quero mais nada material.
Sou espiritual. Não me tentem salvar, só preciso do lápis.
Já não me encontro mais. Deixo-vos esta arte.
A arte da fome.

sábado, 16 de junho de 2012

Um Não-Amor

Monotonia, acalmia.
Tudo à minha volta se revia, na nostalgia.
Sem amor, com ilusão, 
Sem coração, com decepção.

De repente, um sopro.
Um sopro sem cor, creio, mas com muita alma.
Essa alma vinha leve, calma, como a brisa.
Essa alma naquele sopro eras tu.

E a monotonia foi alegria.
E a nostalgia não mais foi ditadora do meu pensamento.
Com ilusão, com coração.
Com paixão, com amor.

Mas não te posso amar.
Esse sopro veio com tristeza.
A tristeza que sempre me cercou.
Um cerco de infortúnio, de um não amor.

Prefiro o tão angustiante repouso.
Sempre é menos doloroso do que te amar.
Quero a vida sem vida, que essa não tem amor, e o amor magoa.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Sabes


Sabes a beleza,
Sabes ao doce encanto dos verdes campos
E à misteriosa verdade de um sonho.
Sabes ao ar, puro e límpido como o teu olhar.

Sabes a ternura,
Sabes àquela simplicidade que dá forma à vida
E eu saboreio tudo o que me dás
Sem questionar, sem pensar, apenas sendo feliz.

Soam as trombetas do amor,
Cantam líricas as aves à tua passagem.
E, ao mostrares tal elegância,
Algo refresca e alimenta este meu ser.

Sorris com o coração
Sem saber sequer que te quero.
E o Mundo vai girando, o homem evoluindo, as coisas passando
E eu, eu vou amando.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Chuva


Chovia. Naquela tarde, era o que tinha.
A chuva. Nada mais.
Ela trazia o teu sorriso
E dela fazia as minhas lágrimas.

O ruído, aquele das gotas na janela, acalmava-me.
Aquele "tan! tan! tan!" ininterrupto, agradava-me.
Deliciava-me ao ouvi-lo a pensar em ti.
Substanciava o que sentia. Amor.

Olhei. Olhei cada milímetro da pluviosidade.
Gostava de supor que cada um era uma paixão.
Que ia batendo em várias janelas, aquelas que eram as donzelas.

E, tal como aquelas gotas, um dia pára.
O amor, o "tan! tan! tan!", os milímetros da paixão.
E o sol irá raiar lá no alto.
E mostrar o meu coração molhado pela chuva.

Loucura


Dizem que sou louco, esses bandalhos!
"Arghhh!" Como ousam dizer que vivo na loucura?
Sabem lá eles quanta lucidez vive em mim!
Sabem lá eles sequer o que é viver!

Não vivo na loucura, não senhor! 
Vivo no meu pensamento, e esse é bem salutar.
Ao contrário de vocês, vulgares execráveis!
Que nem pensar sabem certamente!

"Arggghh!" Louco! "Hmmm!" Louco!
Ora vejam bem o que haviam de dizer de mim!
Mas não se cansem de me apontar defeitos.
É da maneira que ilumino as minhas qualidades.

Ouçam o ruído, ilustres vagabundos.
Ouvem? E que tal? Gostam?
É o barulho das vossas ideias a ecoar no encéfalo.
Sem mais nada, só vazio. 
Mas continuem. Imputam-me a loucura
Que eu dela farei a sabedoria, a que vos falta.