quarta-feira, 17 de setembro de 2008


Rogo-me de paixão por ti, meu amor
Ainda sinto a tua respiração em mim
Ousas imaginar que não te amo, mas,
Ouve o canto das sereias
E receberás tua resposta
Este é o amor urdido por nós
O amor com que devaneámos
Não o abjures, sente-o,
Voltemos à volúpia de nossos corpos
Deixemo-nos de zelos, de labéus injuriosos
Recorramos a nosso amor,
Às noites escusas de paixão ardente,
Voltemos a amar.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Amor Infernal


Lamúria infernal, queixume infernal
Por alma tua, que me deixa saudosista
Saudosista de um amor escapulido
Levado por ti, Mefistófeles
Que não tens piedade de nenhum
Nem de meu angelical amor
Que te entregou a alma
Sem olhar ao meio
E para atingir um fim
Amar-me para sempre.

Choro de Inverno


Choro por ti e,
Sou injuriado por chorar
Só não chora quem não tem coração
Só não chora quem não ama
Se o chorar me faz menos homem,
Não sei
Sei que choro por causa de ti
E isso,
Nem todos os homens podem celebrar,
Chorar por amor,
Por amar alguém.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Pedra Filosofal


Pela primeira vez neste blogue deixo-vos com um poema que não é da minha autoria. Pedra Filosofal de António Gedeão, deixo-vos também com a versão musical.
Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso,

como este ribeiro manso

em serenos sobressaltos,

como estes pinheiros altos

que em verde e oiro se agitam,

como estas aves que gritam

em bebedeiras de azul.



eles não sabem que o sonho

é vinho, é espuma, é fermento,

bichinho álacre e sedento,

de focinho pontiagudo,

que fossa através de tudo

num perpétuo movimento.



Eles não sabem que o sonho

é tela, é cor, é pincel,

base, fuste, capitel,

arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,

contraponto, sinfonia,

máscara grega, magia,

que é retorta de alquimista,

mapa do mundo distante,

rosa-dos-ventos, Infante,

caravela quinhentista,

que é cabo da Boa Esperança,

ouro, canela, marfim,

florete de espadachim,

bastidor, passo de dança,

Colombina e Arlequim,

passarola voadora,

pára-raios, locomotiva,

barco de proa festiva,

alto-forno, geradora,

cisão do átomo, radar,

ultra-som, televisão,

desembarque em foguetão

na superfície lunar.



Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida,

que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Amor Secreto


Ouvindo o restolho
Parecendo que ouço, mas não ouço

Disfarço,

Parecendo desatinado no restolho
Sou um tino não mais que atento,

Disfarço,

Parecendo taciturno e vápido
Sou garboso, jubilado por tua volúpia,

Disfarço,

Parecendo tíbio em mim
Sou insidiado por tua beleza,

Disfarço,

Parecendo delével por tudo
Sou um lastro imóvel,

Disfarço,

Disfarço para que não notes em mim
Para que te possa observar tacitamente,
Para que ninguém saiba que te amo.

Conhecimento Incógnito


Será fogo, isto que eu penso?
Será água, isto que eu sinto?
Será um nada feito de tudo
Será alma no espírito que se vai
Será sangue esvaindo-se pela corrente
Será coisa que aparece e se esfumaça
Será pujança no vigor da vida
Não sei se é o que será
Sei que vai e vem
Como alguém que não quer quem
Sei, porém, quem é esse alguém
Alguém que me tangera e segue para o fojo
Alguém que eclode sem que se dê a ver
Continuo, no entanto, sem saber o que será
Mas sabendo quem é esse alguém.

Amor, Para ti


Para ti,
Para ti de sentimento sem finitude
Para ti imaculada deusa
Para ti que sem temor pugnas por meu lustre
Para ti, primorosa, que mudas meu vápido mundo
Para ti que desafias a Providência com teu despejo
Para ti, de volúpia infinita, és o meu cirro,
Meu cirro para a felicidade
Para ti, que me enlevas com tua beleza
Para ti, que és afeita a mim e não me deixas
Para ti, impérfida mulher, impregno-me em ti
Para ti que me gostas e inebrias meu mundo
Para ti, que, se fosse cego vislumbrar-te-ia sempre em meu coração.