quarta-feira, 10 de março de 2010

Prisão Em Mim


Está escuro
À volta, só negrume
Tudo tão escondido
E não sei onde estou.

Tento descobrir o meu redor
E sentir a escuridão que me assola
Tento saber algo mais que a cegueira
Que se instalou sem saber porquê.

Estou num cubo e apalpo-o
Tento descobrir a saída. Não consigo.
É a cárcere a manifestar-se.
E não há guarda para me libertar.

Não sei como aqui vim dar.
Estava inconsciente ou consciente. Não sei.
Não há rasto, nem sinais, nem pistas.
Só solidão escura. E eu.

Quando sairei daqui? Nunca, talvez.
Ou amanhã. Ou quando se acender a luz.
Em pouco tempo já me habituei.
Já me habituei a este isolamento.

Ouço agora uma voz.
E a única certeza que tenho é o seu som.
Virá talvez do exterior que ambiciono.
Já não ouço a voz. Desapareceu.
Terá desaparecido comigo. Será isto a alma?
E o físico? Desagregou-se? Quando se juntarão?
Talvez naquele dia em que o cubo se esvanecer.