Não quero amigos nem família,
Não quero choro nem lágrimas.
Não quero a tristeza do negro luto.
Não quero dó nem piedade.
Quero a chuva que sempre me perseguiu.
Quero a terra molhada e o coveiro, apenas.
Quero sentir-me sozinho, sem procissão nem o lúgubre folclore.
Quero o pó que se levantar quando for a enterrar.
Não quero rosas, nem vermelhas nem quentes.
Não quero a esperança além-morte.
Não quero saber de destino nem de gritos aflitos.
Não quero céu, nem inferno, nem dores, nem pesares.
Quero as ervas duras sobre o meu corpo adormecido.
Quero sentir o chocar dos ossos.
Quero a mudez que será a minha fala.
Não quero a balada dos sinos,
Não quero visitas ao meu leito
Nem tão pouco rezas ao meu espírito.
Quero os pássaros que, cruelmente, hão-de pousar na minha pedra.
Quero ser alimento da Natureza, do que é natural.
Quero passar pelos anos, ali, sem que notem a minha passagem.
Quero estar entregue à própria sorte, à morte.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Whisky-Amor
A garrafa ia a meio, mas o coração estava cheio,
Cheio de ilusões e amores inatingíveis.
Amores não. Amor. Porque em mim só há um.
E é por esse que bebo.
Cada gole é cada amargura de um sentimento sem fim,
Cada trago é uma corda que amarra o meu sonho.
Tenho em mim dois alimentos,
O amor e o whisky.
A loucura cai em mim tal como a frustração.
A frustração de não me encontrar contigo nesta paixão.
Já pensei em tudo. Já fui e já vim.
Não sei se terei suporte líquido para abater esta dor.
Deixai-me na embriaguez desta impossibilidade.
Junta-te ó veneno escocês a mim.
Vamos amar e vamos sonhar, sem sobriedade.
Vamos cair, agora,
Sem que nada nos iniba de beber, amando.
Cheio de ilusões e amores inatingíveis.
Amores não. Amor. Porque em mim só há um.
E é por esse que bebo.
Cada gole é cada amargura de um sentimento sem fim,
Cada trago é uma corda que amarra o meu sonho.
Tenho em mim dois alimentos,
O amor e o whisky.
A loucura cai em mim tal como a frustração.
A frustração de não me encontrar contigo nesta paixão.
Já pensei em tudo. Já fui e já vim.
Não sei se terei suporte líquido para abater esta dor.
Deixai-me na embriaguez desta impossibilidade.
Junta-te ó veneno escocês a mim.
Vamos amar e vamos sonhar, sem sobriedade.
Vamos cair, agora,
Sem que nada nos iniba de beber, amando.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Ao Amor
Que seja eterna esta minha paixão,
Que sejam teus olhos sempre a minha inspiração,
Que seja tua beleza a razão para esta admiração.
Que as minhas mãos tremam sempre que te vejo,
Que o meu coração palpite ao ver-te chegar
Que a minha voz se embargue quando para mim falas,
Que chore de alegria minha alma ao ver este amor.
És o teu nome, invulgar e única.
És os teus olhos castanhos que lembram a terra quente,
És tudo isso e muito mais,
E esse mais é que me fascina.
E enquanto embalas o sono leve das gaivotas,
Sorrio enamorado nestas palavras que te dou.
Esperando apenas que chegues aos meus olhos,
Tal como és, nessa tácita provocação
Que me enche este expresso sentimento.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Tudo
Vejo por aí além,
Além das coisas e das coisinhas
E aquilo que podia ser tudo é nada,
Um nada distante das coisas.
É isso que vejo e que para muitos
É invisível. O nada. As coisinhas.
O tudo, facilmente se vê e se distingue
Das outras coisas.
Não sou melhor que ninguém. Não.
Apenas procuro coisinhas nas coisas da vida.
Sim essa madrasta que nos dá os tudos
E nos esconde os nadas.
Sigo esta minha visão
Certo das incertezas das coisas
Vagueando nas coerencias causais.
Dos nadas. Dos tudos.
Da luz que se apaga.
Além das coisas e das coisinhas
E aquilo que podia ser tudo é nada,
Um nada distante das coisas.
É isso que vejo e que para muitos
É invisível. O nada. As coisinhas.
O tudo, facilmente se vê e se distingue
Das outras coisas.
Não sou melhor que ninguém. Não.
Apenas procuro coisinhas nas coisas da vida.
Sim essa madrasta que nos dá os tudos
E nos esconde os nadas.
Sigo esta minha visão
Certo das incertezas das coisas
Vagueando nas coerencias causais.
Dos nadas. Dos tudos.
Da luz que se apaga.
sábado, 11 de junho de 2011
O Beijo
O choro daquela alma gritava.
A todos que o quisessem ouvir.
Pedia ajuda, um auxílio.
O auxílio da razão talvez.
Ouvi e fui ter com ela.
Mas nada valia a pena.
Só restava a presença.
O sentir que se estava ali.
Chorou sem dó, sem pensar na desgraça,
Eu acatava aquele sofrimento
Quis abraçá-la, mas nem a conhecia.
Nem a alma queria, nem ela pedia.
Mas pediu-me muito mais.
Um beijo, de felicidade.
E o choro acabou.
E aquilo que parecia infinito, o choro,
Deu lugar à finitude do momento, o beijo.
A Noite(Poema)
De amor, só tenho a noite
Só ela, me dá as estrelas
Que trazem as memórias,
As memórias de quem já amei.
Não sei se alguma vez será dia.
Não sei se amarei o Sol
Ou as nuvens, ou o céu azul.
Não sei.
Sei que sou teu e tu trazes a noite contigo.
Sei que, para já, não quero a luz.
Só quero a luz que me dás,
A das constelações.
Deixa-me ver-te da janela.
Deixa aprecias o que de ti resta.
A escuridão, o negro
Da nossa paixão.
A Noite
-Já amaste? - perguntava ela.
- Não me faças perguntas difíceis- dizia ele.
- Difícil? Não. Tem a reposta mais fácil de todas.
- Até acredito que sim. Mas não agora.
- Mas sabes o que é amar?- perguntou ela.
- Sim, acho que sim.
- Então já amaste, certo?
Pedro nem sabia que dizer. A verdade é que ela tinha chegado onde ele não queria. Na realidade Pedro já amara, sim. Já amara e com todo o coração. Com todos os batimentos por segundo. Mas agora via esse amor reflectido nas estrelas. Só quando chegava a noite ele revia esse amor. Na verdade ela já partira quando Pedro ainda a amava.
-Sim, mas só à noite- respondeu ele.
- À noite? Como assim?
- Só à noite quando as estrelas aparecem eu posso amar. De dia apenas anseio pela noite.
- Mas porquê? Só amar à noite?- indagou ela.
- Porque só ela me traz a luz das constelações e espelha as memórias de quem amei.
- E achas que não voltarás a amar de dia?
Ao que Pedro respondeu:
- Não, só quando o dia tiver estrelas. Aí sim, amarei.
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