domingo, 17 de outubro de 2010

Viver


Pensava ter vivido tudo.
Ter dado todos os beijos,
Ter sentido todos os abraços,
Ter dado a toda a gente, tudo de mim.

Pensava ter feito as pazes com o amor,
Ter conquistado todas as amizades.
Pensava ter aquele lugar que todos desejam,
Ter feito desta vida, a minha vida.

Mas como estava enganado.
Como tudo se esvanecia num simples olhar.
Um olhar que me dizia: “Ainda tens tanto para dar.”
Por momentos desviei-lhe a cara.
Estava apenas a escapar-me.
Sabia toda a razão que aquele olhar concentrava.

Nunca ninguém deve achar que da vida já tirou tudo.
Nunca se deve ter a certeza de quem somos.
Nunca devemos achar que algo será a última coisa.
Nunca podemos sentir que já vimos o sol brilhando num luar.

Sigam sempre o olhar de alguém.
Só ele sabe quando já fizemos tudo. Ou quando ainda precisamos de fazer.
Não tenham medo de arriscar. Nem se sintam riscados da vida.
Beijem, abracem, amem como se fosse a primeira vez.
Quando for a última, saberão que o sol sempre brilha ao luar.

sábado, 9 de outubro de 2010

O Mar E Tu


“Penso em ti sempre que o mar se agita.”
Escrevi.
Era piroso. Disseste.
Era tudo o que tinha para ti.
E tu, tudo o que tinhas para dizer.

Pensei noutras frases.
Mas só aquela conseguia escrever.
Sabia que não gostavas, mas insisti.
Era aquela a perfeita para nós.

Acabaste por aceitá-la.
No fundo, sempre gostaste dela.
Sabias que era a nossa marca.

Um dia em que estavas triste saímos.
Olhámos para o mar. Estava agitado.
Conseguiste sorrir para mim.
Sabias que estava a pensar em ti.

sábado, 2 de outubro de 2010

Tu


Será porventura o sorriso
Aquele que transportas do coração ao rosto,
Aquela maravilha superior
Com que acendes as almas apagadas.

Será o olhar
Que lacrimeja ternura e alegria
Que assalta a minha paixão
Que deixa ver o quão bela és.

Será o gesto.
Suave, macio, quente.
Acolhedor para quem é estranho,
Pleno de emoções por tua pele.
No fim, és tudo.
Tu és uma. Um sorriso. Um gesto. Um olhar.
Junção da trindade da beleza
Que por este pobre é retratada.

Talvez Um Dia


Queria tocar-te e sentir-te.
Passar a minha áspera mão
Pelos sensíveis teus cabelos.
Queria.

Talvez um dia. Numa noite ao luar.
Para que haja testemunhas.
Alguém que assista ao meu querer.
Alguém que chore por mim.

Talvez este desejo seja precoce.
É cedo para te amar.
Mas é tarde para me apaixonar.

Sei que é curto este canto,
Mas são os suspiros que te deixo.
Sou eu. E o meu desejo. Em palavras.

sábado, 25 de setembro de 2010

Homem Bala

Deixa saudades, deixa solidão,
Deixa fantasias, deixa paixão.
Deixa um mundo, parte para outro.
Deixa o rastilho, deixa a pólvora.

Acenos, lágrimas e sorrisos. Mas poucos.
O momento não é de felicidade. É de fugacidade.
A velocidade. O som. A velocidade do som.
Tudo misturado entre rostos e a atmosfera.

Disparou, saiu. O pó das emoções assenta pelo descampado.
Ninguém fica indiferente. Não percebem o porquê.
Sair assim, sem aparente nexo, directamente para o Sol.

“Um dia gostava de voltar”. Pensava ele.
“Adeus!”, gritam.
E ele cumpre a missão de se escapar.
E vai ele, o homem-bala.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A Minha Liberdade


A liberdade não existe
Existem liberdades.
Não há uma liberdade,
Há a liberdade deste e daquele.

Cada um batalha pela sua liberdade.
Cada um segue os seus ideais de liberdade.
E seguem o que isso implica:
O egoísmo das nossas liberdades.

É raro a minha liberdade ser a liberdade do outro.
Todos têm as guerras e pelejam para as ganhar.
Todos têm as suas prisões e querem delas sair.
Seguindo sempre a sua liberdade.

Será que vale a pena uma liberdade comum?
Será a união tão forte para me juntar à liberdade do outro?
A liberdade talvez não o permita.
Ela gosta de sussurrar aos nossos pensamentos
E levar a dela avante.

As minhas liberdades não se dão com as outras.
Gostam da independência de serem únicas na minha cabeça.
Gostam de me dizer: “Segue-me e liberta-me”.
E eu gosto de a seguir. Só ainda não a libertei.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Viajar


Desde os seus primórdios, o ser humano sempre teve uma grande vontade em descobrir novos horizontes, viajando.
No entanto viajar não é só deslocar-se de um local para o outro. Viajar é mais do que isso, é deslocar-se entre culturas, civilizações e estados de espírito inerentes a essas culturas.
Ao viajarmos por certos locais vamos assimilar tudo o que concerne a esse local e gera uma conexão com o mesmo. Se a viagem nos marcou é natural que, cada vez que façamos essa mesma rota, nos iremos lembrar dos sentimentos que ali deixamos. Tudo isto possibilita uma descoberta do outro enquanto ser de outra cultura e também uma descoberta de nós tentando encontrar nos nossos traços de personalidade similitude com o outro. Por exemplo, se eu for a um país africano, onde as condições de vida são paupérrimas e degradantes, irei tomar contacto com esse facto e descobrir o outro, diferente de mim, ao mesmo tempo que me interrogo sobre o que vejo tentando procurar em mim algo para ajudar aquele povo.
Como já referi antes, viajar é descobrir novos sentimentos em cada país que visitamos. É poder fazer coisas novas, em locais novos com pessoas novas que não são passíveis de se fazer onde habitámos, no nosso país. Com a situação acima transcrita advém as marcas de que nos iremos sempre lembrar. Por exemplo, se for a França e nesse país tiver um relacionamento temporário com alguém, onde pude fazer coisas que nunca tive oportunidade de fazer e onde me sinto único e outra pessoa. Irei ficar com vestígios desse caminho sentimental e sempre que me lembrar daquele lugar irei recordar-me das emoções que lá deixei, onde pude descobrir um eu novo e diferente, neste caso.
Assim, viajar é, em concomitância com a deslocação física, uma deslocação espiritual e mental onde me posso surpreender com novas características minhas e de outros.